Iêmen vive a iminência de guerra civil
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segunda-feira, 23 de março de 2015
France Presse 
Adem Os revoltosos no Iêmen, onde o conflito tem se acentuado, continuavam ontem a mobilizar suas tropas, apesar dos apelos do Conselho de Segurança da ONU a reconhecer a "legitimidade" do presidente e de preservar a "unidade" do país. "Os acontecimentos no Iêmen estão empurrando o país para a beira de uma guerra civil", alertou no último domingo o enviado especial da ONU no Iêmen, que convocou os partidos a resolverem suas tensões pacificamente.
O Conselho de Segurança da ONU declarou apoio unânime ao presidente iemenita, Abedrabbo Mansour Hadi, e à unidade do país, em meio a temores de que a agitação promovida pelos xiitas huthis, que questionam o chefe de Estado, possa sair do controle. Mas a milícia xiita dos huthis enviou novos reforços para o sul, tendo como alvo a cidade de Áden, onde o presidente Hadi está entrincheirado. Seu avanço é dificultado pela resistência de tribos hostis, segundo fontes de segurança.
Em Taez (sudoeste), terceira maior cidade do país, milhares de pessoas manifestaram-se ontem em torno de um campo das forças especiais para exigir a saída dos comandantes destas unidades ligadas aos huthis, indicaram os manifestantes. No último domingo, um manifestante foi morto e cinco ficaram feridos quando os milicianos xiitas dispararam balas de verdade contra as pessoas mobilizadas para evitar que os huthis assumissem o controle de sua cidade depois de conquistar o seu aeroporto e a base militar adjacente, de acordo com várias fontes.
Os huthis, que supostamente recebem apoio do Irã xiita, controlam a capital Sana e o norte do Iêmen. Também contam com poderosos contatos dentro do exército entre os seguidores do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, no poder entre 1978 e 2012. Saleh se aliou aos huthis contra o presidente Hadi, que é apoiado pelas monarquias sunitas do Golfo, incluindo a Arábia Saudita.


