Husseini sepultado em Jerusalém
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de junho de 2001
Associated Press De Jerusalém 
Milhares de palestinos entraram triunfalmente ontem na disputada Jerusalém Oriental para acompanhar o corpo de Faisal Husseini, realizando pelo menos temporariamente o sonho da autoridade palestina no dia de seu enterro.
A polícia fronteiriça israelense permaneceu à margem enquanto moradores da Cisjordânia lotaram a cidade em desafio ao forte bloqueio de Israel para acompanhar o caixão de Husseini, a maior autoridade palestina em Jerusalém, que morreu na quinta-feira de ataque cardíaco no Kuwait.
Libertamos Jerusalém! gritou um dos manifestantes, Nafiz Abdou, 23 anos. Não tem polícia (israelense). Não tem soldado. As ruas estão repletas de palestinos. Eu sinto com se eles tivessem rendido a cidade para nós!
Husseini, um defensor da coexistência com Israel, dedicou sua vida à consolidação do reclamo palestino por Jerusalém Oriental como sua capital.
Cerca de 20.000 pessoas, muitos deles em júbilo e acenando bandeiras palestinas ou pretas ou carregando retratos de Husseini, entraram na murada Cidade Velha na Jerusalém Oriental. Muitos pacifistas israelenses uniram-se à multidão, incluindo o vereador de Jerusalém Moshe Amirav, próximo a Husseini desde a década de 80.
Mais tarde, jovens palestinos escalaram um muro cercando o apartamento do primeiro-ministro Ariel Sharon e destruíram uma câmera e rasgaram uma parte de uma grande bandeira israelense pendurada na arcada. Sharon comprou o apartamento no final dos anos 80, a fim de demonstrar o controle israelense sobre a cidade, mas raramente vai ao local.
Palestinos também destruíram câmeras de segurança no Portão de Damasco da Cidade Velha, e saquearam e incendiaram uma loja de um judeu, segundo a polícia. Ninguém ficou ferido. Em outra loja, um turista judeu jogou spray de gás lacrimogêneo em outros que tentavam saquear uma loja.
Aos gritos de Longa vida Palestina, o corpo de Husseini foi finalmente enterrado no local mais sagrado do islamismo em Jerusalém, ao lado de seu pai, um lendário comandante militar morto em 1948 numa batalha por Jerusalém.


