Hussein morre; Abdallah é o novo rei
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
France Presse 
O rei Hussein da Jordânia morreu ontem aos 63 anos, em consequência de um câncer, e seu filho primogênito Abdallah, 37 anos, assumiu imediatamente o trono, pedindo a união nacional. O Governo jordaniano proclama que o reinado corresponde a Abdallah ibn Hussein, novo rei do reino hachemita da Jordânia, indicou um comunicado lido pela televisão estatal.
O soberano, que reinava há 46 anos, morreu às 11h43 locais (7h43 de Brasília) no complexo médico de Amã, onde agonizava há dois dias. Anunciamos o falecimento do mais apreciado, do maior dos homens, decano de Al al-Beit (os descendentes do profeta), que exalou seu último suspiro neste domingo e que Deus decidiu chamar para junto dEle, diz o comunicado.
A rainha Nur permaneceu até o final à cabeceira de seu marido, informaram fontes do palácio real. Em um pronunciamento pela televisão, o rei Abdallah anunciou à população a morte de seu pai e pediu a união nacional.
Morreu como um crente, segundo a vontade de Deus, disse Abdallah, usando um traje escuro, gravata negra e o keffié tradicional vermelho e branco. Preservaremos a herança de Hussein na edificação de uma Jordânia forte. Peço a todos que permaneçam unidos e em toda lealdad, como uma só família, acrescentou o novo rei.
De acordo com a Constituição do reino, o rei Abdallah prestou juramento ante o Parlamento, convocado às 15 horas locais (11 horas de Brasília).
Os funerais nacionais do rei Hussein deverão ser realizados hoje. Uns quarenta chefes de Estado e de Governo já confirmaram sua presença, inclusive o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton (leia texto ao lado).
O soberano deve ser enterrado antes das orações do meio-dia no cemitério da família junto do palácio real, na colina Jebel al-Hussein. Um luto nacional de 40 dias foi decretado no reino hachemita.
O rei Hussein estava há dois dias em estado de morte clínica e as autoridades confirmaram ontem que seu único rim e seu fígado tinham deixado de funcionar.
A família real não tentou prolongar artificialmente a agonia, através, por exemplo, de uma díalise.
Histeria Os familiares do rei em sua totalidade chegaram à sua cabeceira durante a noite, quando os médicos constataram que a morte do soberano era iminente. Ao ser anunciado o falecimento, houve cenas de histeria diante do complexo médico de Amã, onde centenas de pessoas tinham se concentrado com a esperança de um milagre. Alguns gritavam e rasgavam suas roupas.
O rei Hussein tinha voltado sexta-feira dos Estados Unidos, depois do fracasso do tratamento contra um câncer linfático, a que estava sendo submetido há sete meses.
Anteontem, o governo jordaniano constatou a incapacidade do rei para dirigir e nomeou Abdallah como regente do reino.
Em suas primeiras declarações, Abdallah disse que encarnaria a continuidade, tanto na Jordânia como no processo de paz no Oriente Médio. Abdallah foi designado no dia 25 de janeiro passado como príncipe herdeiro pelo rei Hussein, que depôs seu irmão mais moço, o príncipe Hassan, que exercia o cargo há quase 34 anos.
Repercussão As primeiras reações internacionais à morte do rei saudaram um dos artífices da paz no Oriente Médio. Um luto nacional de três dias foi decretado no Egito, no sultanato de Oman e também pela Autoridade Palestina. O emir do Kuwait, xeque Jaber al-Ahmad al-Sabah, dirigiu uma mensagem ao novo rei, expressando suas condolências à família hachemita e ao povo da Jordânia pela morte de um grande dirigente.
Israel se declarou em luto. É um dia de luto para Israel e para todos os seus habitantes. O rei era a personalidade estrangeira mais popular em Israel, declarou um porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.


