O rei Hussein da Jordânia, pacificador, mestre em trocar de alianças e um símbolo de estabilidade no Oriente Médio, foi declarado clinicamente morto ontem, deixando um vazio de incerteza em seu país e em toda a região.
Líderes mundiais prestaram tributos a um homem que sobreviveu a 12 tentativas de assassinato, diversas vezes ganhou e perdeu a confiança de seu povo, de Israel e do Ocidente, e incorporava as complexidades dos problemas do Oriente Médio como poucos outros.
Esperava-se que parentes do rei Hussein concordassem na noite de ontem que fossem desligados os aparelhos que o mantinham vivo, num hospital militar em Amã, acabando finalmente com sua batalha de sete meses contra um câncer linfático. Pelo menos 40 chefes de Estado são esperados para seus funerais hoje.
France PresseSucessorO filho mais velho de Hussein, o príncipe Abdullah (d), major-general do Exército, assume o poderMembros da família estiveram ao lado de sua cama para dizer adeus ao homem que governou a Jordânia com firmeza mas também com benevolência através de 47 anos de guerras, revolução, golpes militares e assassinatos.
Cerca de 100 jordanianos se mantiveram em vigília na frente do hospital. ‘‘Não podemos ficar em casa enquanto ele está doente e nossos corações estão chorando’’, disse um, Mohammad al-Abdullat. ‘‘Se chorar ajudasse, iríamos alagar as ruas com lágrimas’’.
Menos de duas semanas atrás, Hussein, de 63 anos e o líder há mais tempo no poder no Oriente Médio, havia retornado da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, e teve uma eufórica recepção de seus súditos, e se disse curado.
Mas ele permaneceu no país apenas o suficiente para trocar, de uma maneira tipicamente abrupta, controvertida e autocrática, a sucessão de seu irmão príncipe Hassan, que a mantinha por 34 anos, para seu filho mais velho, príncipe Abdullah, um major-general do exército.
Quando um transplante de medula óssea não foi bem sucedido em sua volta à Clínica Mayo, ele voou novamente de volta para morrer em seu país.
Mesmo em seu leito hospitalar em outubro, Hussein buscou suas forças para a causa da reconciliação, ajudando o presidente Bill Clinton a mediar um acordo de paz interino em Wye Plantation, Maryland, entre Netanyahu e o presidente palestino, Yasser Arafat. Mas o acordo foi suspenso pelos israelenses e agora enfrenta ainda mais incerteza com uma indesejada eleição geral israelense e a morte do rei Hussein.
Foi Hussein quem fez a paz da Jordânia com Israel em 1994, pondo fim a um estado de guerra formal que durou décadas e ganhando popularidade no Estado judeu e aclamação como pacificador no exterior - mas muito ressentimento doméstico.
Shimon Peres, o ministro do Exterior de Israel quando o tratado foi assinado, disse acreditar que Abdullah - um dotado e afável líder militar mas não versado em política - irá seguir o caminho de paz de seu pai. Mas o agraciado com o Prêmio Nobel da Paz afirmou que será difícil substituir Hussein ‘‘Ele não foi apenas o pai da Jordânia. De várias formas, ele era uma figura paterna para todos nós’’.

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