John Hume, o chefe do partido católico moderado co-laureado do prêmio Nobel da Paz, lutou incansavelmente, na maioria das vezes sozinho e contra todos, pela paz na Irlanda do Norte durante trinta anos, para reunir o conjunto dos atores, inclusive a ala política do IRA. Este ex-professor de 61 anos, com os cabelos desgrenhados, é o principal artífice da nova fórmula institucional do Ulster, ratificada durante o acordo histórico de paz no dia 10 de abril passado.
Quando nasceu seu Partido Social Democrata Trabalhista (SDLP) em 1970, o compromisso ainda não existia. A província acabava de ver os primeiros distúrbios, provenientes de sua cidade natal, Londonderry, que durariam cerca de trinta anos, causando em torno de 3.600 mortos. Hume, contra toda lógica, insistiu para incluir nos estatutos do SDLP a noção de ‘‘consentimento’’, que introduz a eventualidade de uma Irlanda reunificada graças a uma aprovação da maioria protestante, então contrária à idéia.
Este consentimento figura atualmente no plano de paz que os nacionalistas, tanto moderados como radicais, aprovaram maciçamente. Considerado durante muito tempo como o único interlocutor nacionalista respeitável, Hume encarou muito cedo o governo britânico e os protestantes unionistas, ao insistir sobre a inclusão do Sinn Fein (ala política do Exército Republicano Irlandês, IRA) no processo de paz.
Está convencido de que o terrorismo não provocou, mas atrasou uma solução política. ‘‘Derramemos nosso suor, não nosso sangue’’, repetia sem cessar aos nacionalistas. Durante as negociações que culminaram no compromisso histórico, o chefe do SDLP rejeitou todas as propostas do chefe do grande partido protestante, David Trimble, para um pacto exclusivo entre moderados.

mockup