Hugo Chávez teme ser assassinado
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
France Presse 
Paris Em entrevista publicada ontem no jornal francês Le Monde, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, confessou que teme ser assassinado, precisando que ''presta muita atenção'' a isto. ''Acho que minha morte eventual poderia detonar uma verdadeira guerra civil...'', disse Chávez, acrescentando que ''os episódios de violência registrados no país foram planejados por alguns setores golpistas e fascistas da oposição''.
Chávez destaca na entrevista que em Caracas ''manifestantes pró e contra o governo promovem demonstrações, às vezes no mesmo dia'' e que o risco de uma guerra civil na Venezuela já se apresenta. Chávez afirmou que rejeita as eleições antecipadas exigidas pela oposição porque ''não estão previstas na Constituição'', acrescentando que aceita ''o princípio de um referendo a partir de agosto 2003'', legalmente previsto. ''Sou o chefe de estado, mas também um líder, responsável por um projeto político'', comenta.
Greve no 16º dia A greve geral contra o presidente Hugo Chávez completou ontem 16 dias, em uma data marcada por distúrbios de rua devido ao 172º aniversário da morte do libertador Simón Bolívar, cujo legado político é mais um elemento na disputa entre o governo e a oposição.
Posição da OEA O conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu aos venezuelanos uma saída pacífica, constitucional e eleitoral à crise que sofre seu país, em uma decisão ''salomônica'' que tanto a oposição como o governo do presidente Hugo Chávez poderão reclamar como um triunfo.
Em sua resolução o conselho deu um ''enérgico e inequívoco'' apoio às gestões que há seis semanas realiza em Caracas o secretário-geral da OEA, César Gaviria, para propiciar uma solução negociada no polarizado país petroleiro sul-americano. Ao mesmo tempo, respaldou ''a institucionalidade democrática e constitucional'' representada pelo governo de Chávez, rechaçou ''categoricamente'' qualquer alteração da ordem constitucional, e urgiu ao governo e à oposição negociarem ''de boa fé'' para alcançar uma solução ''constitucional, democrática, pacífica e eleitoral''.
O texto representa um equilíbrio entre as exigências da delegação venezuelana, que buscava um ''respaldo pleno e absoluto'' ao governo de Chávez, e a posição de uma maioria que insistiu em apoiar a ordem institucional, disseram fontes diplomáticas.
Após longos dias de debates a portas fechadas, que se iniciaram sexta-feira, o consenso foi obtido basicamente em torno de um projeto de resolução apresentado por Peru, Argentina, Bolívia e Costa Rica.
Um dos pontos mais debatidos foi o papel da mídia no conflito, pois a delegação da Venezuela queria incluir um apelo ''a todos os setores que têm incidência na formação da opinião pública, para que contribuam ao fomento da paz e da tolerância'', enquanto outros países queriam pedir ao governo respeito pela liberdade da imprensa.


