O presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou ontem que o giro que começa hoje pelo Brasil tem como propósito abrir um diálogo para uma maior integração sul-americana. Durante sua estada no Brasil, Chávez será recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e se reunirá com empresários. Na agenda do novo presidente, está também uma reunião com bispos católicos do Brasil, que, segundo ele, ‘‘têm uma luta intensa e exemplar’’.
Amanhã, ele segue para Buenos Aires onde se encontrará com os presidentes da Argentina, Carlos Menem, e do Chile, Eduardo Frei, que estará de passagem pela capital argentina. Depois Chávez seguirá para a Colômbia. Ele toma posse no dia 2 de fevereiro.
Hugo Chávez, disse que espera com ansiedade reunir-se com os mandatários do Brasil e da Argentina para demonstrar-lhes que não é nenhum ‘‘satanás ou tirano’’. ‘‘Quero que me conheçam como sou. Quero que todos saibam que não sou um tirano, nem o diabo, nem um gorila’’, afirmou Chávez em uma entrevista publicada ontem pelo jornal argentino El Clarín.
Chávez, de 44 anos, liderou uma sangrenta revolta militar em 1992 na Venezuela. Seus opositores o acusam de ser um ditador em potencial.
Entretanto, na entrevista ao Clarín, ele negou ser um militar rebelde. ‘‘Não sou um ’carapintada’ venezuelano’’, disse Chávez, fazendo alusão aos militares argentinos que, com seus rostos pintados, rebelaram-se em 1987 contra o governo do então presidente Raúl Alfonsín.

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