France Presse
De Nova York
Um dos líderes dos partidários da independência do Timor Leste, José Ramos-Horta, acusou ontem quatro generais do Exército da Indonésia de recrutar delinquentes para sabotar o referendo marcado para o dia 30 deste mês sobre o futuro desse território. O Timor Leste é uma ex-colônia portuguesa invadida pelo exército indonésio em 1975 e anexada no ano seguinte.
José Ramos-Horta, um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz em 1989, disse aos jornalistas que tinha pedido aos legisladores de vários países para que estudassem as formas para incluir os quatro militares nas listas de pessoas procuradas para que pudessem ser presos, como o ex-ditador chileno Augusto Pinochet.
Augusto Pinochet foi preso em Londres em 16 de outubro a pedido da Justiça espanhola para ser extraditado para Madri e julgado por violações aos direitos humanos.
Ramos-Horta disse que acreditava que o governo do presidente da Indonésia, B.J.Habibie, estava comprometido com o referendo de 30 de agosto e acrescentou que ‘‘o maior perigo não está depois da votação, mas sim entre este momento e as eleições. Caso o exército da Indonésia fracasse em boicotar o processo e o sufrágio aconteça numa situação relativamente pacífica será muito mais difícil para eles mudar o resultado depois’’.
O plebiscito está sendo organizado pelas Nações Unidas depois de um acordo assinado em Nova York em maio, entre a Indonésia e Portugal, e o ex-poder colonial no Timor Leste.
O sufrágio permitirá aos timorenses escolher entre a independência da ex-colônia portuguesa anexada em 1976 por Jacarta e ou uma autonomia dentro da Indonésia.

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