Hong Kong enfrenta grande agitação
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sábado, 28 de junho de 1997
Rebeca Kritsch Agência Estado Hong Kong 
France PresseCenárioO local que servirá como cenário para a principal cerimônia na solenidade de devolução oficial de Hong Kong ao governo chinês já está totalmente preparado O clima de fim de festa aos poucos toma conta da administração britânica, que deixa o poder em Hong Kong depois de 156 anos de domínio. Na última reunião do governador Chris Patten com os membros do Conselho Executivo da colônia, os conselheiros - equivalentes a secretários - levaram de lembrança as placas douradas que designavam seus lugares à mesa de reuniões. Faltam dois dias para a devolução de Hong Kong à China.
Durante a semana, ampliaram-se os preparativos para a festa de transferência. As bandas do evento ensaiam todos os dias, desde a manhã. O calor, que obriga os músicos a treinar nas primeiras horas de sol, foi aliviado pela chuva. A precipitação rendeu algumas horas do efeito sauna característico de Hong Kong.
Quando chove na região, a umidade do ar, sempre alta nesta época do ano, chega a 100%. Lentes, óculos e vidros em geral embassam. A temperatura, durante o dia, fica entre 25 e 30 graus. A cidade vira uma sauna a céu aberto.
A polícia definiu as áreas destinadas a manifestações nos arredores do Centro de Convenções e Exibições, onde será celebrada a transferência. São dois retângulos, cada um capaz de abrigar 100 pessoas. Avisados na segunda-feira de que usar o slogan Fora Li Peng seria considerado sedicioso e poderia levar à prisão, os ativistas políticos anunciaram que gritarão apenas Acabem com a ditadura de um só partido e Construam a democracia na China. Dois protestos estão marcados: um para a meia-noite do dia 30 e outro no fim do dia seguinte.
O cerimonial informou que acomodará os representantes estrangeiros em ordem alfabética, pelo nome do país. Com o arranjo, o ministro Luiz Felipe Lampreia provavelmente vai sentar-se entre belgas e búlgaros, se estes comparecerem. Seis mil pessoas foram convidadas para a celebração. Mil ainda não disseram se vêm.
O bate-boca político não teve trégua. O novo chefe-executivo, Tung Chi Hua, fez novas ameaças ao líder democrata Martin Lee, que quer ler um manifesto pela liberdade dentro do prédio do Conselho Legislativo, mesmo depois de destituído de seu cargo de parlamentar, nas primeiras horas do dia 1º de julho. Lee é membro da atual legislatura, que à meia-noite do dia 30 será substituída por parlamentares escolhidos por 400 pessoas apontadas por Pequim.


