Honduras segue em ‘‘estado de emergência’’ e sua situação pode piorar com a chegada da estação das chuvas, afirmou o presidente Carlos Flores, em entrevista à AFP em Tegucigalpa, três meses depois da devastação provocada pelo furacão ‘‘Mitch’’.
O chefe de Estado explicou que as águas dos rios não voltaram ao seu nível normal e que as chuvas podem trazer novos problemas.
Flores qualificou de ‘‘extraordinário’’ o trabalho do governo diante da magnitude do desastre causado pelo furacão ‘‘Mitch’’, lembrando que ‘‘ninguém está nunca totalmente preparado para enfrentar um furacão’’.
O presidente destacou em particular que foram reabertas as escolas e restabelecido o abastecimento de água e eletricidade.
Na última quinta-feira, no entanto, um incêndio destruiu parcialmente e pôs fora de serviço a central hidrelétrica El Cajón, a 167 km ao Norte da capital, responsável por 50% da eletricidade do país, deixando Honduras submetida a racionamento de energia.
Por outro lado, 1,4 milhões de alunos reiniciaram segunda-feira as aulas, suspensas desde outubro, mas outros 300.000 terão que esperar até primeiro de março.
Flores informou que, dos dois milhões de refugiados, cerca de 38.000 seguem vivendo em cabanas de campanha ou em albergues improvisados, enquanto que outros encontraram abrigo entre familiares.
O presidente disse, ainda, que o país terá que importar grande quantidade de alimentos por causa da destruição da maioria das lavouras, enquanto que a venda de bananas, carro-chefe das exportações, se reduziu a zero.
Flores considerou incalculável o total dos danos causados pelo Mitch à infra-estrutura do país, cuja reconstrução levará anos. Segundo o governo o furacão deixou 5.657 mortos, 8.058 desaparecidos, 1,5 milhão de feridos e 2,2 milhões de refugiados.

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