Agência Folha
De São Paulo
Quando se trata de obesidade e vaidade, balança e espelho não costumam se entender. Os homens se enxergam mais magros do que são, enquanto as mulheres se vêem mais gordas do que de fato pesam. O que era apenas uma suspeita pode ser confirmado por mais uma pesquisa, agora realizada pela Divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Cerca de 55% dos homens gordos ou gordinhos entrevistados disseram que se acham dentro do peso. Ou seja, a maioria dos obesos do sexo masculino acredita que está muito bem e que não precisa perder peso. Em relação às mulheres, acontece o contrário. Entre aquelas que estavam no peso saudável, 33,6% disseram que se sentem gordas. Pode-se concluir que entre todas as que estão fazendo regime ou tomando remédio - e sofrendo por se sentirem gordinhas - um terço está muito bem e não precisaria perder peso.
‘‘É uma gordura mental’’, afirma Mara Cristina de Souza, diretora da Divisão de Saúde da Psicologia do HC e coordenadora da pesquisa. O estudo ouviu 340 homens e mulheres que passaram por serviços do HC, de diferentes classes sociais, obesos ou não. Um dos dados preocupantes da pesquisa do HC foi o grande número de dietas em que as pessoas começam e interrompem ao longo da vida, transformando em ‘‘sanfona’’ tanto o corpo quanto a auto-estima.
Mais de um terço dos que tinham feito ou faziam regime já tinham começado e parado por mais de dez vezes. Cerca de 60% relataram algum sentimento negativo, culpa, sensação de fracasso e frustração a cada vez que desistiram. Os outros 40% voltaram a comer compulsivamente, justamente como uma forma de resolver a frustração. Ainda assim, derrotados e frustrados, a maioria - 62,4% - disse que pretende continuar ou retomar a mesma dieta ou outro regime.
Esse começar e largar cria um círculo vicioso que intercala decisão e frustração ao longo da vida. Entre as cerca de 150 pessoas do grupo pesquisado que faziam ou fizeram regime, 43% disseram ter percorrido esse círculo por mais de oito vezes.
‘‘Após o deslize, vem sempre uma nova dieta, que será a última, a definitiva, que não vai curar apenas a obesidade, mas a própria vida, recuperar o corpo, os elogios’’, afirma Mara. ‘‘A disposição para o novo regime é tão compulsiva quanto o comer’’, diz a coordenadora da pesquisa do HC. Há um outro dado preocupante: o uso de remédios sem acompanhamento médico.

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