São Paulo - O governo da Turquia anunciou ontem que os três autores do ataque ao aeroporto Mustafa Kemal Atatürk, em Istambul, vieram da Rússia e das ex-repúblicas soviéticas do Quirguistão e do Uzbequistão. O anúncio foi feito no dia em que mais vítimas não resistiram aos ferimentos provocados pelas explosões, elevando para 44 o número de mortos. Outras 238 ficaram feridas, das quais 94 continuam internadas.
A polícia turca identificou um dos autores como o tchetcheno Osman Vadinov, morador do Daguestão, região de maioria islâmica no Cáucaso. Segundo os agentes, ele usou um passaporte russo para entrar na Turquia em maio. No ano passado, afirmam os policiais, ele entrou no país e cruzou ilegalmente à Síria para chegar a Raqqa, bastião da milícia terrorista Estado Islâmico no país.
O jornal governista Yeni Safak afirma, com informações da polícia, que Vadinov seria ligado a Akhmed Chatayev, considerado pelos Estados Unidos o comandante da facção na Tchetchênia. Embora tenham forte presença entre os combatentes na Síria e no Iraque, esta seria a primeira vez que russos e cidadãos da Ásia Menor participam de ataques terroristas para o Estado Islâmico.
As informações foram divulgadas no dia em que as autoridades turcas prenderam 13 pessoas suspeitas de fazerem parte de células do Estado Islâmico em Istambul, Esmirna e Ancara. Dentre eles, estavam três estrangeiros.
Embora o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan tenha atribuído o ataque à facção, nenhuma de suas células reivindicou a explosão no aeroporto de Istambul. O ataque foi o mais letal ocorrido na maior cidade turca desde 2003, quando caminhões-bomba explodiram em frente a duas sinagogas e ao consulado do Reino Unido, deixando 57 mortos.
Em discurso ontem, o ministro do Interior turco, Efkan Ala, voltou a dizer que evidências apontam para a participação do Estado Islâmico, mas ainda não há confirmação de que a facção terrorista esteja envolvida.
Terceiro mais movimentado na Europa, o aeroporto concentra voos de toda a região. A Turquia deve viver, a partir de agora, um novo declínio na sua indústria do turismo. O país foi atacado diversas outras vezes, nos últimos meses, e já não possui mais uma imagem de local seguro.

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