Cidade do Vaticano - O papa Bento XVI declarou ontem que o homem da ''sociedade pós-moderna'' precisa mais do que nunca de ''um Salvador'', em sua mensagem Urbi et Orbi (para a cidade e para o mundo) do dia de Natal, pronunciada de uma sacada da basílica de São Pedro.
''Nesta era pós-moderna, talvez ele precise ainda mais de um Salvador, desde que a sociedade em que vive se tornou mais complexa e as ameaças à sua integridade moral e pessoal se tornaram mais insidiosas'', declarou o Papa.
Bento XVI perguntou, retoricamente, se a ''humanidade que alcançou a Lua e Marte e está preparada para conquistar o universo'' ainda precisaria de um Salvador.
''Esta humanidade do século XXI parece senhora segura de seu próprio destino'', afirmou, antes de emendar: ''pareceria, mas não é o caso. As pessoas continuam a morrer de fome e de sede, de doenças e pobreza, nesta era de consumismo farto e desenfreado'', lamentou.
O Pontífice, de 79 anos, mencionou os subjugados à escravidão e à exploração, vítimas de ódio racional, religioso e de discriminação, terrorismo e outras violências ''em um tempo em que todo mundo invoca e proclama o progresso, a solidariedade e a paz para todos''.
Segundo o Papa, o progresso não alterou a necessidade de um Salvador. ''Apesar dos muitos avanços da humanidade, o homem tem sido sempre o mesmo: a liberdade equilibrada entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. É ali, no mais profundo do seu ser, que o homem sempre precisa ser 'salvo'.''
Terra Santa - O papa declarou ainda ter esperança de visitar a Terra Santa e rezar em Jerusalém. ''Eu espero muito que a Providência permita a peregrinação para a Cidade Santa'' para ''rezar em Jerusalém, o centro afetivo de todos os descendentes de Abraão.''
Mesmo assegurando às comunidades cristãs do Oriente Médio sua ''proximidade espiritual'' em um momento que a região é castigada pela violência, o Papa pediu que resistam ao ''ódio e à vingança'', bem como à tentação de buscar o exílio.
No início do mês, o premier israelense Ehud Olmert reiterou um convite ao Pontífice para visitar Israel. Mas a viagem só seria possível em condições de paz ou pelo menos de uma trégua estável, segundo o Vaticano.

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