Um indivídio desequilibrado matou a facadas oito crianças com idades de seis a oito anos e feriu outras vinte ao invadir ontem um colégio em Ikeda, elegante subúrbio da cidade de Osaka, 500 km a oeste de Tóquio. Quinze crianças estão internadas, seis das quais em estado grave, segundo os serviços de socorro. Os estudantes mortos – sete meninas e um menino – cursavam a primeira e segunda séries.
O primeiro-ministro Junichiro Koizumi classificou de ‘‘terrível’’ esta matança, a mais grave ocorrida em um estabelecimento escolar japonês desde a Segunda Guerra Mundial.
As crianças foram atacadas por volta das 10h15 locais (23h15 de Brasília), quando se encontravam na sala de aula. O assassino invadiu o colégio armado com uma faca de cozinha de 15 cm de comprimento, segundo os meios de comunicação. Imediatamente começou a esfaquear aleatoriamente as crianças e seus professores. No total, 23 deles, incluindo dois adultos, ficaram feridos durante os doze minutos que durou o drama antes que o homem fosse dominado pelos professores, segundo o último balanço fornecido ao anoitecer (hora local).
O homem ‘‘bem corpulento’’ entrou em uma das salas escalando uma das janelas, informou um aluno, entrevistado pela televisão local. ‘‘Ele veio diretamente para cima de nós e esfaqueou o professor, que não disse nada e caiu no chão, sem se mover’’, contou o escolar.
O assassino foi identificado como Mamoru Takuma, de 37 anos, residente em um bairro vizinho. ‘‘Quando foi preso, estava consciente, mas falava frases incoerentes depois de ter tomado uma forte dose de tranquilizantes’’, explicou um dos responsáveis pela investigação, Yasuhiro Kitagawa, em coletiva de imprensa.
Takuma declarou à polícia: ‘‘Estou cansado de tudo. Tentei suicídio duas vezes, mas não consegui morrer. Queria que me prendessem para ser executado.’’ Até maio passado Takuma seguiu um tratamento em um hospital psiquiátrico e em três oportunidades foi tratado por crise de esquizofrenia, precisou a polícia.
Em março de 1999 foi investigado por ter colocado tranquilizantes nas xícaras de chá oferecidas a professores de outra escola primária em que trabalhava, indicou a agência Jiji Press.
O Japão, cujo índice de delinquência é um dos mais baixos do mundo, se viu comovido nos últimos anos por diversos assassinatos de crianças cometidos por adolescentes. Uma rígida lei de controle de armas faz com que a maioria dos ataques seja feita com facas.

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