Hizbollah toma parte oeste de Beirute
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sexta-feira, 09 de maio de 2008
Tariq Saleh<BR>Folhapress 
Beirute, Líbano- Milícias da oposição libanesa, liderada pelo grupo radical xiita Hizbollah e apoiada pelo Irã e pela Síria, tomaram ontem o lado oeste de Beirute, empurrando o país para a beira de um conflito civil no terceiro dia de confrontos entre grupos armados pró e antigoverno.
A capital e outras cidades continuam tomadas por combates que já deixaram, até a noite de hoje, ao menos 19 mortos e 30 feridos. As milícias avançam para o porto, protegido pelo Exército.
A deterioração da situação interna do Líbano ameaça desequilibrar o delicado balanço de forças na região e envolver em um conflito países vizinhos. O Oriente Médio ficará mais perigoso com um Líbano em guerra civil, isso é certeza, disse à reportagem a socióloga e especialista em Ciência Política por Harvard Sophie Saade. Os efeitos serão sentidos sobretudo na Síria e em Israel.
Damasco ocupou militarmente o Líbano até 2005, apóia o Hizbollah e está intimamente ligada à política libanesa. Já Israel, que travou guerra com o grupo xiita por 33 dias em 2006, dificilmente ficaria de braços cruzados ante um fortalecimento e avanço das milícias para perto de sua fronteira.
O conflito atual e o enfraquecimento do governo pró-Ocidente já é o produto de uma batalha de duas agendas distintas na região, explica Saade. Uma americana-israelense e outra sírio-iraniana, que aos poucos parece estar se impondo.
Na capital libanesa, a oposição venceu batalhas e rapidamente controlou 11 bairros, quase todo o lado muçulmano no oeste de Beirute. As milícias logo ergueram pontos de checagem em ruas que levam à sede do governo, que continua sob proteção do Exército.
A vitória rápida da oposição nas ruas confirmou a fraqueza do governo de Siniora e seus aliados, avalia Saade, dando mais munição para o avanço do Hizbollah e seus aliados.
Sitiado pelos milicianos em sua casa, o líder sunita governista Saad Hariri - filho do ex-premiê Rafik Hariri, cujo assassinato, em 2005, foi a gênese da atual crise- pediu a volta das negociações. O Hizbollah rejeitou a proposta.
O governo havia anunciado na segunda que investigaria uma rede de comunicações privada do Hizbollah que, alega, viola a soberania do Estado libanês. A medida provocou a ira do grupo, que salientou que a rede era parte de sua estrutura militar e que elementos do governo trabalhavam como espiões para EUA e Israel.
Na quarta, sindicatos pró-oposição realizaram uma greve geral por aumento de salários. Os protestos logo se tornaram confrontos violentos, colocando militantes pró e anti-governo em batalhas nas ruas da capital. A oposição exige a renúncia de Siniora, apoiado pelos EUA e outros países ocidentais.
A oposição fechou a TV Futuro, o jornal Al Mustaqbal e a rádio Al Sharq, ligados a Hariri, quando militantes atacaram os prédios das empresas com fuzis e lança-granadas. Uma fumaça preta podia ser vista do prédio do jornal em chamas.
O Exército libanês adotou a política de neutralidade no confrontos, garantindo apenas a segurança de civis e prédios governamentais. Na manhã de ontem, o governo estudava a possibilidade de declarar estado de emergência, rapidamente rejeitada pelo comando do exército, já que obrigaria a instituição a interceder no conflito, o que poderia provocar sua desintegração devido a lealdades sectárias dos soldados.


