HIV atinge 40 milhões no mundo, mas combate avança
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terça-feira, 22 de novembro de 2005
Folhapress 
São Paulo - Relatório da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/ Aids) divulgado ontem revela que o número estimado de pessoas que vivem com Aids atualmente é de cerca de 40,3 milhões, o maior já registrado.
Segundo o documento, neste ano aproximadamente 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV, sendo que 3,1 milhões morreram vítimas da Aids, metade das quais crianças.
No entanto o chefe da Unaids, Peter Piot, disse que o relatório também traz boas notícias. Pela primeira vez, disse ele, houve evidências de que os crescentes esforços no combate à doença nos últimos cinco anos resultaram num número menor de novos infectados.
Segundo Piot, quedas nas taxas de contágio entre mulheres jovens e grávidas em diversos países indicam uma tendência geral positiva. ''Agora temos declínio no Quênia, no Zimbabwe e em vários países caribenhos'', disse o chefe da Unaids.
''Se vemos uma queda na prevalência entre as populações jovens, significa que há uma queda nos contágios recentes''. Piot disse ainda que muitas das taxas decrescentes são resultado de um comportamento sexual mais seguro.
O documento da ONU ressalta que a Aids já matou mais de 25 milhões de pessoas no mundo desde que foi detectada, em 1981, o que faz dela ''uma das mais destrutivas epidemias de que se tem registro na história''.
Um dos problemas observados pela pesquisa foi o fato de poucos países haverem feito sérios esforços no combate à Aids.
Segundo o relatório da Unaids, menos de 1 em cada 5 pessoas que correm risco de contágio no mundo tem acesso aos serviços básicos de prevenção, e só 10% das pessoas que contraíram o HIV fizeram o teste e estão cientes de que são portadoras do vírus.
A ignorância sobre a doença e seu tratamento também é obstáculo para a reversão da epidemia. Na Índia, mostra o relatório, cerca de 42% dos profissionais do sexo afirmaram poder dizer se um cliente tinha Aids ou não pela sua aparência. Na cidade de Karachi, no Paquistão, 20% das pessoas que trabalham com atividades sexuais são incapazes de reconhecer uma camisinha e um terço delas nunca ouviu falar em Aids.
Ainda segundo o documento, a epidemia está crescendo no Leste Europeu em cujos países o número de pessoas infectadas pelo HIV cresceu 25% desde 2003 e na Ásia Central.
No sul da África, a epidemia também continua a se intensificar. A África subsaariana ainda é a região mais afetada pela epidemia, sendo que nela vivem cerca de 26 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. O número representa um terço da população mundial.
O relatório afirma também que as possibilidades de tratamento para os habitantes dos países pobres melhoraram significativamente e que há ''indicações de que a falta de tratamento irá diminuir nos próximos anos, mas não na velocidade necessária para efetivamente deter a epidemia''.
A Unaids avalia que sejam necessários US$ 15 bilhões para os programas de combate à Aids nos países subdesenvolvidos, mas apenas US$ 9 bilhões foram prometidos. Ativistas no combate à Aids exortaram ontem os países ricos a aumentar suas doações aos países pobres.


