Hipótese de terrorismo é menos provável, diz governo da França
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de março de 2015
Agência Estado 
Aventada desde os primeiros instantes após o desaparecimento do voo Germanwings 4U9525, ontem, nos Alpes do sul da França, a hipótese de atentado terrorista está sendo descartada. A informação foi revelada na manhã de hoje pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e pelo secretário dos Transportes, Alain Vidalies, segundo quem as primeiras investigação indicam que não houve explosão do Airbus A-320 antes da colisão, que deixou 150 mortos.
De acordo com Vidalies, a possibilidade de uma explosão em pleno voo já pode ser totalmente descartada. "Nós sabemos que o avião atingiu a montanha. A razão da descida é uma questão em aberto", confirmou o secretário nesta manhã. "Às 10h31, no momento em que o avião passa de um sistema de controle a outro, o piloto dá seu acordo e diz: 'Sim, eu vou seguir essa trajetória'." Neste momento, o Airbus está em voo de cruzeiro, a 11,4 mil metros de altitude. "A seguir o avião começa a descer", relatou a autoridade de transportes. "Não é uma descida muito rápida, é quase normal, durante oito minutos. E então ele atinge a montanha."

Mais detalhes sobre as circunstâncias da queda do voo Germanwings devem ser conhecidos às 16h de hoje, quando a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), órgão responsável pela apuração das causas da tragédia, concederá uma entrevista coletiva em suas instalações, em Le Bourget, nos arredores de Paris.
Desde já, sabe-se que a única das duas caixas pretas do avião já encontradas no local do acidente, a Cockpit Voice Recorder (CVR), que grava as conversas dos pilotos na cabine do avião, foi avariada na queda, mas seus dados poderão ainda assim ser extraídos. "É possível reconstituir os elementos de forma a explorá-los nas próximas horas", informou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, em entrevista à rádio RTL. Cazeneuve foi enfático: "A hipótese de terrorismo não é privilegiada nesta manhã".
Segundo informou Vidalies, a caixa preta já está em Paris, onde peritos trabalham na coleta dos diálogos dos pilotos. Já a análise dos sons ambientais, como o ruído das turbinas, pode até levar semanas.
Na região da tragédia, os investigadores retomaram no início da manhã de hoje os trabalhos em buscas dos corpos das vítimas e de indícios sobre as causas do acidente. Trata-se de uma força tarefa que envolve entre 500 e 600 homens, entre bombeiros, policiais e agentes de segurança civil que trabalham nas buscas e no isolamento do perímetro montanhoso. "É preciso ser metódico para preservar o perímetro e evitar que qualquer pessoa venha perturbar as buscas", argumentou à rede de TV iTélé o porta-voz do governo, Stéphane Le Foll.
O voo entre Barcelona, na Espanha, e Düsseldorf, na Alemanha, é a pior tragédia aérea em solo francês desde 1974. Conforme o jornal La Provence, de Marselha, o choque aconteceu quase no mesmo local em que em 1953 em avião Lockheed Constellation, da Air France, caiu quando realizava o trajeto entre Paris e Saigon, deixando 42 mortos.


