WASHINGTON - Hillary Rodham Clinton, a controvertida primeira-dama dos Estados Unidos, está saindo da semi-clandestinidade política que se impôs durante a campanha eleitoral para não prejudicar as chances de vitória do marido. Em visita a Austrália, ela disse no início da semana que gostaria de ter ‘‘um papel formal’’ na implementação da reforma do sistema de assistência pública aos pobres que o presidente Bill Clinton assinou no mês passado para assegurar sua reeleição.
A reação foi imediata. O governador de Wisconsin, o republicano Tommy G. Thompson, um especialista no tema, explodiu: ‘‘Temos finalmente uma chance de tirar as pessoas da assistência pública e realmente não precisamos do amor e do carinho de Hillary Clinton para atrapalhar’’. Na imprensa, as especulações sobre os planos da esposa de Bill Clinton tornaram-se o principal assunto do final de seu périplo de doze dias pelo Pacífico.
O interesse da primeira-dama pelo assunto não é novo. Uma advogada brilhante, Hillary Clinton tem uma longa militância em causas sociais. Antes de mudar-se para a Casa Branca, em 1993, ela foi presidente do Fundo de Defesa das Crianças, a maior organização não governamental dedicada à proteção da infância entre os pobres nos EUA.
A reforma do sistema de ‘‘welfare’’ que o Congresso republicano aprovou e Clinton sancionou por conveniência política tem entre seus críticos mais duros velhos amigos e aliados de Hillary. Eles afirmam que o fim da garantia federal de assistência automática aos pobres jogará milhões de crianças pobres nas ruas. O senador Frank Lautenber previu que ‘‘as cidades dos EUA ficarão parecidas com as ruas do Brasil’’, cheias de crianças abandonadas.
A resposta provocada pela simples possibilidade de Hillary Clinton voltar a ter uma presença mais visível no debate de políticas públicas mostra o interesse que a saga da primeira-dama americana continua a despertar entre os americanos.

mockup