WASHINGTON - Se a confissão de Bill Clinton à Nação anteontem à noite representa a hora mais sombria de sua presidência, também significa publicamente para Hillary Clinton, primeira-dama dos Estados Unidos, o momento mais humilhante de seu casamento.
O presidente Bill Clinton, sem Hillary a seu lado, contrariamente a uma longa tradição, lamentou profundamente, durante um pronunciamento televisado, ter enganado o povo norte-americano por sua conduta no caso Monica Lewinsky e aceitou sua total responsabilidade.
‘‘Enganei o povo, inclusive minha esposa’’, disse Clinton ao país, no discurso transmitido ao vivo por todos os canais de televisão.
Pouco mais de 24 horas depois de assistir a um culto de domingo, sorridente e de mãos dadas com o marido, Hillary foi obrigada a ouvir Clinton reconhecendo ter mantido uma ‘‘relação não apropriada’’ com Monica Lewinsky, uma ex-estagiária da Casa Branca.
Hillary Clinton não fez nenhuma aparição pública segunda-feira e passou todo o dia em ‘‘sessões estratégicas’’ com os conselheiros mais próximos ao presidente, segundo as tevês norte-americanas. Sem ser vista há vários dias, mas ao lado deles, a filha do casal, Chelsea, também passou essas últimas horas dentro da Casa Branca com seus pais.
A humilhação de ver o marido confessar publicamente que a traiu deve ser tão dolorosa para Hillary que, até os últimos dias, segundo várias fontes, não teria sido informada sobre os detalhes da relação dele com Monica e teria acreditado no desmentido de Clinton.
Até sexta-feira passada, segundo Murray Waas, que publica uma crônica geralmente bem informada na Internet, ‘‘Hillary Clinton ainda acreditava que seu marido iria negar a relação sexual com Monica Lewinsky’’. O jornalista citou fontes próximas à Casa Branca.
Enquanto ‘‘o presidente já tinha decidido com seus advogados reconhecer alguns fatos durante seu depoimento ao Grande Júri, a primeira-dama continuava ignorando a decisão’’, assegurou.
Vários ex-assessores de Clinton disseram nesses últimos dias que Hillary certamente não conhecia todos os detalhes do caso Lewinsky e que o mais duro para Clinton seria confessar à esposa e à filha.
Segundo o biógrafo de Clinton David Maraniss, existe um ‘‘certo código de ‘‘não diga nada, não pergunte nada’’ no casamento Clinton.
O casamento dos Clinton ‘‘sobreviverᒒ ao caso Monica Lewinsky, havia garantido horas antes do depoimento o reverendo negro Jesse Jackson, que se tornou nesses últimos meses o conselheiro espiritual do casal presidencial.
Os Clinton ‘‘se amam e seu casamento sobreviverá a tudo isso’’, disse Jackson, estimando que a força do presidente vem do fato de que sua mulher e sua filha têm estado ao lado dele durante esta provação.
Até o momento, Hillary Clinton sempre deu um apoio privado e público ao marido.
Em 1992, já havia salvado sua campanha presidencial, negando ao lado dele pela televisão as afirmações de Gennifer Flowers, uma ex-cantora que alegava ter mantido uma relação de 12 anos com Clinton.
Em janeiro último, quando veio à tona o caso Lewinsky, também deu seu apoio ao presidente na televisão, denunciando uma campanha de mentiras contra seu marido.

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