Hillary e Lavrov reiniciam relação entre EUA e Rússia
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sexta-feira, 06 de março de 2009
Folhapress 
Genebra Estados Unidos e Rússia concordaram hoje em abrir uma nova página nas relações entre os dois países, desgastadas por anos de atritos durante o governo de George W. Bush. A prioridade será a renovação do acordo de desarmamento nuclear assinado entre Washington e Moscou no fim da Guerra Fria, que expira em dezembro.
Em um primeiro encontro marcado por sorrisos e anedotas, mas que não ocultaram as divergências que persistem, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, transmitiu ao ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, a mensagem que a Casa Branca vem repetindo nos últimos dias: é hora de reco-meçar.
O esforço chegou a produzir uma gafe, quando Hillary deu de presente ao ministro russo um botão vermelho e a palavra reset (recomeço, em inglês), traduzida erroneamente para o russo como peregruzka (sobrecarga).
Na entrevista após o encontro, em um hotel de Genebra, Hillary e Lavrov aproveitaram o erro de tradução para dizer que a agenda entre os dois países é pesada, mas há muitos pontos de interesse comum.
Nada ficou fora da mesa, disse Hillary. Olhando para o ministro russo, a quem se referiu o tempo todo pelo primeiro nome, ela deixou claro que promover a distensão com Moscou é uma opção estratégica do governo de Barack Obama.
Essa será também a mensagem de Obama em seu primeiro encontro com o presidente russo, Dmitri Medvedev, na reunião do G20 em Londres, no começo de abril. Este é um novo começo, não apenas para melhorar a nossa relação bilateral, mas para liderar o mundo em importantes áreas, em particular com respeito a armas nucleares e segurança nuclear.
Clinton e Lavrov reiteraram que a prioridade da agenda bilateral é chegar a um novo acordo nuclear para substituir o Start II (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), assinado em 1991. O acordo, que Lavrov disse estar ultrapassado, impõe limites aos arsenais nucleares dos dois países.
As relações entre Moscou e Washington azedaram durante o governo Bush, atingindo seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. Um dos principais fatores de tensão foi o escudo antimísseis que os EUA querem estender à República Tcheca e à Polônia.


