Filadélfia - Hillary Clinton foi oficializada nesta terça-feira (26) como candidata democrata à Casa Branca, e sua conquista se dá para o bem e para o mal. Como marco histórico, será a primeira mulher a concorrer por um partido grande à Presidência dos EUA. Como revés, será uma das candidatas mais odiadas dos últimos tempos, animosidade testemunhada mesmo dentro de seu partido.
Na véspera, partidários de Bernie Sanders, que rivalizou com ela até o fim das prévias da legenda, ensaiaram deflagrar uma "guerra civil": vaiaram menções a Hillary e gritaram em coro o nome do senador. A hostilidade foi mais tímida na terça, depois de o próprio Sanders discursar na noite de segunda em defesa da ex-oponente. Num gesto simbólico, os dois foram apresentados como opção na eleição interna - ele nunca formalmente retirou sua candidatura.
A agora presidenciável oficial da legenda assistia à cerimônia de casa, segundo sua campanha, quando sua candidatura foi sacramentada - ela superou com facilidade a marca que precisava para ser indicada à vaga (2.383 delegados, que representam o voto popular em seus Estados). Agrados aos simpatizantes de Sanders não foram poucos: no começo, oradores se revezaram para elogiar o senador, dando a impressão de que ele, e não Hillary, seria a escolha do partido para o pleito de 2016.

REJEIÇÃO
Pesa contra Hillary uma taxa de aprovação que bate um recorde negativo em pelo menos dez eleições presidenciais, só superado pelo adversário republicano, Donald Trump, com 57,1% de rejeição. Rechaçada por 55,6% do eleitorado, na média de várias pesquisas, Hillary tem um problema: o povo americano não confia nela. A imagem de "desonesta" e "indigna de confiança" grudou com 67% do eleitorado, segundo sondagem CBS/"New York Times" divulgada em meados de julho. É um número em ascensão: um mês antes, 62% reportavam a cisma com Hillary.
Nesse meio tempo, ela se livrou de ser indiciada por usar servidores privados, mas ganhou, contudo, uma reprimenda do diretor do FBI por ser "extremamente descuidada".

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