Washington- Hillary Clinton, a senadora que sonhava em ser a primeira mulher eleita presidente dos Estados Unidos, desistiu oficialmente ontem de sua pré-candidatura, deixando o caminho livre, com a promessa de apoio, para o rival democrata Barack Obama.
Em um e-mail enviado aos seus apoiadores, Hillary afirmou que ''estenderá suas congratulações ao senador Obama e seu apoio à sua indicação''. O gesto consolida a candidatura de Obama, que se torna o único nome na disputa, e atende às pressões do partido pelo fim da prolongada corrida.
''Eu disse, durante a campanha, que apoiaria o senador Obama caso ele fosse o nomeado, e eu pretendo cumprir esta promessa'', escreveu Hillary. O apoio declarado ao rival é um movimento essencial no caminho da união partidária.
Após meses de ataques mútuos, a aparente união de Hillary e Obama é crucial para trazer os partidários da ex-primeira-dama às urnas nas eleições de 4 de novembro.
Pesquisas realizadas nos últimos cinco meses de primárias democratas mostraram que eleitores de Hillary preferiam não votar ou até mesmo votar no provável candidato republicano, John McCain, caso a senadora não fosse a nomeada. Esses números iniciaram um forte movimento interno no Partido Democrata pelo fim da disputa pela nomeação e a união partidária, movimento que culminou no evento de ontem.
''Como eu sempre disse, as diferenças entre mim e o senador Obama são pequenas se comparadas com as que temos em relação ao senador McCain e aos republicanos. (...) As apostas são muito altas e a tarefa diante de nós é muito importante para agirmos de outra maneira'', escreveu Hillary, indicando o início oficial da nova fase da campanha presidencial de 2008.
A decisão de Hillary de sair da corrida não encerra seu papel na disputa pela sucessão do governo de George W. Bush. Como uma das mais influentes figuras democratas, a ex-primeira-dama cumpre sua obrigação em dar apoio a Obama.
O anúncio do fim de sua pré-candidatura também levanta especulações sobre o futuro político de Hillary. Os mais fortes rumores apontam para uma possível ''chapa dos sonhos'', com a ex-primeira-dama como vice-presidente.
A chapa conjunta seria uma solução para os efeitos já reconhecidos da divisão do partido durante as primárias. Com os dois concorrendo juntos, haveria apelo para todos os diferentes eleitorados que os democratas atraem - sejam os jovens e negros que apóiam Obama, sejam as mulheres e operários, que apóiam Hillary.

mockup