Hezbollah promete cortar a mão de Israel
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de julho de 2004
Nayla Razzouk<br>France Presse 
Beirute - Um dirigente do Hezbollah encarregado do apoio à resistência palestina foi morto ontem em um atentado com explosivos em um subúrbio de Beirute, provocando a fúria do movimento fundamentalista xiita, que prometeu punir Israel por este crime.
O secretário-geral do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah, prometeu ''cortar a mão de Israel'', responsável pelo assassinato de Ghaleb Awali, ''um mártir que integrava uma equipe de homens que dedicaram nestes últimos anos sua vida a apoiar os irmãos na Palestina ocupada''.
O ataque foi cometido ''ou por israelenses infiltrados no Líbano com passaportes europeus, americanos ou outros, ou por mercenários libaneses'', sustentou Nasrallah durante os funerais realizados em uma mesquita do subúrbio xiita do sul de Beirute.
Há um ano, um atentado semelhante, foi cometido no mesmo setor contra Ali Saleh, um outro dirigente da Resistência Islâmica, o braço militar do Hezbollah, cujos ataques provocaram a retirada israelense do sul do Líbano em maio de 2000, após 22 anos de ocupação.
O presidente libanês, Emile Lahud, condenou o atentado, denunciando uma ''agressão flagrante'' de Israel contra o Líbano. O primeiro-ministro, Rafic Hariri, expressou sua confiança em que ''a investigação permitirá prender os criminosos''.
Um comunicado atribuído a Jound al-Cham (Soldados de Damasco), um pequeno grupo fundamentalista sunita cuja criação foi anunciada há algumas semanas no campo de refugiados palestino de Ain Héloué, perto de Sidon (sul), havia anteriormente reivindicado o atentado, afirmando ter ''executado um dos símbolos da traição'', com o objetivo de ''erradicar a heresia xiita''.
Abu Yussef al-Charquié, líder deste grupo, desmentiu em conversa telefônica com a AFP qualquer envolvimento no atentado.
Al-Charquié considerou que o comunicado foi ''fabricado a fim de prejudicar'' sua organização, explicando que o Mossad - os serviços secretos israelenses - era ''o principal beneficiário'' deste ataque.
O grupo divulgou em seguida um comunicado em Sidon, no qual afirma ter contactado os líderes do Hezbollah para condenar o crime.
O sultão Abul Aynain, dirigente do Fatah no Líbano, também descartou em declarações à AFP a hipótese do envolvimento do Jound al-Cham, afirmando que o atentado ''tem a marca de Israel''.


