O movimento muçulmano xiita libanês Hezbollah ordenou ontem que os palestinos ‘‘utilizem armas de verdade’’ e cometam atentados suicidas contra o ‘‘inimigo sionista’’.
‘‘As operações levadas a cabo pelos mártires são o meio mais eficaz de se enfrentar os sionistas’’, já que estas ‘‘têm um forte impacto material e moral sobre o inimigo’’, declarou o secretário-geral do Hezbollah, xeque Hassan Nasralá, no canal de televisão do movimento, al Manar.
‘‘É inaceitável que os palestinos continuem lutando com pedras. Deveriam poder usar armas verdadeiras, que possam derrotar o inimigo israelense’’, acrescentou.
‘‘Se os combatentes (...) dispusessem de meios materiais melhores, o inimigo e o mundo seriam testemunhas de mais ataques, que trariam graves consequências para a situação atual e determinariam o destino da batalha’’, sustentou.
Em Gaza e na Cisjordânia, seguindo uma espécie de ritual desde o início da nova Intifada, no último dia 28 de setembro, os territórios palestinos amanheceram em calma ontem, depois de mais uma noite de violência.
Os palestinos se dispunham a enterrar as quatro pessoas que morreram na sexta-feira em confrontos com soldados israelenses, que deixaram 200 feridos.
A violência aumentou na noite de sexta-feira, quando Israel interveio com tanques e helicópteros de guerra contra as localidades palestinas de Beit Jala e Jericó, na Cisjordânia, ferindo levemente um palestino. Estes ataques foram ordenados após os disparos contra um quartel da colônia judaica de Gilo, em Jerusalém Oriental, e contra Vered Jericó, na Cisjordânia.
A repetição da violência compromete a retomada das conversas de paz, desejada pelo presidente americano, Bill Clinton, que condicionou qualquer reunião em Washington com o líder palestino, Yasser Arafat, e com o premier israelense, Ehud Barak, a uma diminuição da tensão na região.
Barak, que perdeu a maioria no parlamento no último mês de julho, pretende formar um governo de ‘‘união nacional’’ antes da retomada das atividades parlamentares, esta segunda-feira.
Barak e Ariel Sharon, chefe do Likud (principal partido da oposição de direita), voltaram a se reunir ontem, para tentar chegar a um acordo sobre as condições de formação de um gabinete de ‘‘emergência nacional’’. Os dois dirigentes já haviam se encontrado para discutir os seis pontos em litígio que permitiriam a formação do gabinete, que os palestinos consideram uma sentença de morte do processo de paz.
Sharon é considerado o responsável pela explosão de violência nos territórios palestinos e em Israel, que aconteceu após sua polêmica visita à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém (Monte do Templo para os judeus). Desde então, 144 pessoas já morreram, a maioria árabes, e quatro mil ficaram feridas nos confrontos entre palestinos e soldados israelenses.

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