Hezbollah ordena atentados suicidas
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sábado, 28 de outubro de 2000
France Presse De Jerusalém 
O movimento muçulmano xiita libanês Hezbollah ordenou ontem que os palestinos utilizem armas de verdade e cometam atentados suicidas contra o inimigo sionista.
As operações levadas a cabo pelos mártires são o meio mais eficaz de se enfrentar os sionistas, já que estas têm um forte impacto material e moral sobre o inimigo, declarou o secretário-geral do Hezbollah, xeque Hassan Nasralá, no canal de televisão do movimento, al Manar.
É inaceitável que os palestinos continuem lutando com pedras. Deveriam poder usar armas verdadeiras, que possam derrotar o inimigo israelense, acrescentou.
Se os combatentes (...) dispusessem de meios materiais melhores, o inimigo e o mundo seriam testemunhas de mais ataques, que trariam graves consequências para a situação atual e determinariam o destino da batalha, sustentou.
Em Gaza e na Cisjordânia, seguindo uma espécie de ritual desde o início da nova Intifada, no último dia 28 de setembro, os territórios palestinos amanheceram em calma ontem, depois de mais uma noite de violência.
Os palestinos se dispunham a enterrar as quatro pessoas que morreram na sexta-feira em confrontos com soldados israelenses, que deixaram 200 feridos.
A violência aumentou na noite de sexta-feira, quando Israel interveio com tanques e helicópteros de guerra contra as localidades palestinas de Beit Jala e Jericó, na Cisjordânia, ferindo levemente um palestino. Estes ataques foram ordenados após os disparos contra um quartel da colônia judaica de Gilo, em Jerusalém Oriental, e contra Vered Jericó, na Cisjordânia.
A repetição da violência compromete a retomada das conversas de paz, desejada pelo presidente americano, Bill Clinton, que condicionou qualquer reunião em Washington com o líder palestino, Yasser Arafat, e com o premier israelense, Ehud Barak, a uma diminuição da tensão na região.
Barak, que perdeu a maioria no parlamento no último mês de julho, pretende formar um governo de união nacional antes da retomada das atividades parlamentares, esta segunda-feira.
Barak e Ariel Sharon, chefe do Likud (principal partido da oposição de direita), voltaram a se reunir ontem, para tentar chegar a um acordo sobre as condições de formação de um gabinete de emergência nacional. Os dois dirigentes já haviam se encontrado para discutir os seis pontos em litígio que permitiriam a formação do gabinete, que os palestinos consideram uma sentença de morte do processo de paz.
Sharon é considerado o responsável pela explosão de violência nos territórios palestinos e em Israel, que aconteceu após sua polêmica visita à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém (Monte do Templo para os judeus). Desde então, 144 pessoas já morreram, a maioria árabes, e quatro mil ficaram feridas nos confrontos entre palestinos e soldados israelenses.


