Hezbollah anuncia negociações com Israel
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domingo, 27 de agosto de 2006
France Presse 
Beirute- O Hezbollah aceita o envio da Força Interina das Nações Unidas (Finul) ao sul do Líbano, está negociando com Israel uma troca de prisioneiros e lamenta ter sequestrado dois soldados israelenses em julho passado, o que deu origem à recente ofensiva militar de Israel, afirmou neste domingo o líder do grupo libanês xiita, Hassan Nasrallah, em entrevista à TV libanesa.
''Não há qualquer problema com a Finul desde que sua missão não seja voltada para desarmar o Hezbollah'', disse Nasrallah durante entrevista ao canal de TV libanês NTV.
Apesar de negar o desarmamento da milícia xiita, Nasrallah acrescentou que se as tropas do Exército libanês no sul do Líbano encontrarem milicianos armados, as forças nacionais terão o direito de recolher as armas.
''Se o Exército libanês encontrar qualquer pessoa armada, tem o direito de confiscar suas armas'', disse.
Na mesma entrevista à TV libanesa, o líder do Hezbollah revelou que negocia com Israel uma troca de prisioneiros: ''As negociações para a troca de um preso começaram recentemente''.
Segundo Nasrallah, o porta-voz do Parlamento libanês, Nabih Berri, estaria agindo como intermediário do Hezbollah nas negociações, com Itália e Nações Unidas interessadas em se envolver nas conversações.
O líder do Hezbollah também lamentou o sequestro de dois militares israelenses em 12 de julho passado, afirmando que se soubesse que isto levaria a uma ''guerra de tal amplitude'', não teria capturado os militares.
Os dois soldados foram capturados durante uma incursão do Hezbollah no território israelense. Na mesma ação, morreram oito combatentes. O sequestro deu início à ofensiva aérea israelense que em 34 dias deixou 1.278 libaneses mortos, a maioria civis, e 4.054 feridos. Pelo menos 160 israelenses, a maioria militares, também morreram durante o conflito.
Segundo Nasrallah, hoje está claro que nenhuma das duas partes ''busca uma segunda onda'' de enfrentamentos.
Nasrallah deu tais declarações na véspera de uma visita a Beirute do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que quer discutir com líderes libaneses a mobilização de cerca 15.000 soldados da ONU no sul do Líbano, bem como questões relativas à segurança.
Reconstrução- Duas semanas após o início do cessar-fogo no Líbano, o Hezbollah saiu na frente do governo libanês na reconstrução do país, principalmente no sul de Beirute, onde o movimento xiita indicou, ontem, ter avaliado os danos causados pelas bombas israelenses.
''Dividimos a periferia sul em 86 zonas, cada uma inspecionada por uma equipe formada por um engenheiro e três ajudantes, encarregados de avaliar os danos. Os círculos vermelhos são os bairros totalmente destruídos, e os verdes, as áreas medianamente afetadas'', explicou o chefe do projeto, Ghanem Slim. ''Noventa por cento da avaliação já foi feita'', concluiu Slim.
As equipes identificaram ''182 prédios totalmente destruídos, e 192 parcialmente danificados'', sobre um total de 4 mil apartamentos completamente devastados pelas bombas israelenses.


