Beirute- O Hezbollah xiita, responsável pela captura no dia 12 de julho passado de dois soldados israelenses, aceitou que o governo libanês negocie uma troca de prisioneiros com Israel, anunciou ontem à imprensa o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.
A proposta foi aceita por dirigentes libaneses, que se ofereceram ontem para negociar, em meio ao temor de uma ofensiva terrestre depois da ocupação por parte das tropas do Estado hebreu de uma aldeia do sul do Líbano.
O ministro libanês das Relações Exteriores, Fauzi Saluj, propôs que ''a ONU ou uma terceira parte amiga examinem a troca de prisioneiros''.
Saluj, próximo ao Hezbollah, informou que os dois militares israelenses sequestrados ''estão bem de saúde e em local seguro''.
No entanto, a situação no terreno parece demasiado complicada para que o conflito seja solucionado de forma rápida.
Ontem, os bombardeios da aviação israelense tomaram como alvo as cidades e bastiões do Hezbollah no leste e no sul do Líbano, assim como nos subúrbios do sul de Beirute.
Unidades israelenses haviam tomado sábado o controle da aldeia de Marun al Ras, situada a 900 metros de altura, que domina os arredores das regiões de Nabatiyeh e Tiro, duas grandes cidades do sul do Líbano.
Os Estados Unidos mantêm apoio total a Israel depois desta incursão terrestre, a mais importante desde que começaram as hostilidades.
Segundo o ministro israelense da Justiça, Jaim Ramon, o objetivo desta operação é obrigar os milicianos do Hezbollah a retroceder a 20 km ao norte da fronteira israelense para tirá-los desta região.
A atividade militar faz com que os moradores temam uma operação terrestre de grande envergadura, similar à do verão de 1982, que teve como objetivo expulsar do Líbano os combatentes palestinos de Yasser Arafat. O medo provocou nos últimos dias um êxodo de mais de meio milhão de libaneses do sul para regiões que consideram mais seguras.
Brasileiros Um airbus da companhia aérea TAM irá retirar 225 brasileiros que estavam no Líbano e agora se encontram na Síria, informou o embaixador brasileiro Everton Vieira Vargas ontem.
Em coletiva de imprensa em Brasília, Vargas informou que o avião da TAM se encontra nos Emirados Árabes. A decolagem está prevista para as 14h (8h de Brasília). O avião deve chegar ao aeroporto internacional de Guarulhos às 22h.
Segundo Vargas, a tripulação técnica já se encontra nos Emirados Árabes e a tripulação de bordo está a caminho. Um segundo avião da TAM deve realizar mais um vôo a Damasco.
Um Boeing 707 da FAB (Força Aérea Brasileira) trazendo 150 brasileiros deveria partir do aeroporto de Adana, na Turquia às 16h de Brasília chegar ao Recife às 6h de hoje.
É o segundo vôo da FAB transportando brasileiros do Líbano que chega ao Brasil. O primeiro trazendo 98 brasileiros chegou ao país na terça-feira passada.
Hoje, um segundo vôo da FAB deve trazer outros 70 brasileiros que estão em Adana. Na quarta-feira, um outro avião da trará mais 150 passageiros. Na quinta-feira, mais 70 brasileiros embarcam em um vôo da FAB com destino ao Brasil.
De acordo com o Itamaraty, desde o início das operações de retirada, um total de 330 brasileiros deixaram Adana por terra, em comboios de ônibus. Outros 73 brasileiros seguiram ontem de barco para a Turquia, enquanto 142 deixaram Damasco com destino a Adana.

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