Hashimoto pede que Fujimori negocie
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domingo, 02 de fevereiro de 1997
Reuter, de Toronto 
France PresseReuniãoO primeiro-ministro japonês (à direita) recebe cordialmente o presidente do Peru para discutir a situação dos refénsTemendo um desfecho sangrento para a crise dos 72 reféns mantidos na residência do embaixador japonês em Lima, o primeiro-ministro do Japão, Ryutaro Hashimoto, pediu ao presidente peruano, Alberto Fujimori que reabra as negociações com o comando sequestrador do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA).
Os dois líderes, que se reuniram oficialmente ontem em Toronto, já haviam conversado informalmente por cerca de uma hora na véspera, quando chegaram ao Canadá. Funcionários japoneses e peruanos não quiseram informar sobre o tema da conversa dos dois na sexta-feira à noite. Hashimoto qualificou o encontro como uma visita de cortesia, recusando-se a comentá-la.
Durante a reunião de ontem, marcada no início da semana, Hashimoto pediu francamente a Fujimori que retome o diálogo com o MRTA. Ele havia declarado essa intenção durante o vôo que o levou a Toronto.
Nos últimos dias, o governo de Tóquio - por meio de seus porta-vozes e do próprio Hashimoto, que telefonou para Fujimori - vinha manifestando sua preocupação com as possíveis consequências das demonstrações de força promovidas pela polícia peruana nas imediações da mansão. Soldados de unidades de elite, blindados fortemente armados e helicópteros se movimentaram na vizinhança da casa e irritaram os guerrilheiros, que chegaram a disparar contra um dos veículos.
A área onde se localiza a residência tomada pelo MRTA em 17 de dezembro, durante uma festa em homenagem ao imperador Akihito, integra a da missão diplomática japonesa no Peru e está sob soberania de Tóquio. Além disso, entre os reféns do MRTA, há cerca de 20 cidadãos japoneses. Um irmão de Fujimori - Pedro - os ministros peruanos de Relações Exteriores e da Agricultura, parlamentares, comandantes militares e parlamentares também são cativos.
Fujimori deixou o Canadá logo depois da conversa com Hashimoto viajando para Washington, onde participa hoje de uma reunião de cúpula sobre temas econômicos. Amanhã, deve fazer um pronunciamento sobre a crise dos reféns numa sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O porta-voz da Casa Branca, Nicholas Burns, informou na sexta-feira que, durante sua estada em Washington, Fujimori não deve se reunir com o presidente americano, Bill Clinton, porque o governo de Lima não pediu uma audiência mas disse que os EUA apóiam a posição do presidente peruano.


