Beirute - Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, proclamou ontem a vitória de sua lista nas primeiras eleições legislativas em Beirute sem a presença militar síria, que tiveram um fraco nível de participação.
''Esta é a vitória de Rafic Hariri'', assassinado em 14 de fevereiro, clamou Saad Hariri, 35 anos, a uma multidão de partidários que foram à sua casa para congratulá-lo, afirmando que esta vitória ''se alastrará pelo resto do Líbano'', quando quase 90% dos votos já tinham sido apurados apurados.
Saad Hariri declarou que não pretendia ''eliminar'' os partidos anti-sírios que dividiram a oposição libanesa e lançou um apelo ao diálogo e à unidade nacional.
O ministro do Interior, Hassan Sabeh, informou que o nível de participação havia sido registrado em 28%, destacando que o número definitivo não será conhecido antes desta segunda-feira. Sabeh também declarou que nenhum incidente perturbou ''o ambiente democrático e de liberdade total'' que predominou durante esta eleição.
O ministro explicou que o fraco nível de participação podia se explicar pelo fato de que nove dos 19 deputados da capital já tinham vitória garantida.
Nas últimas legislativas em 2000, o nível de participação foi de 33,8%. Porém, este número não é representativo do voto real pois é calculado na base dos eleitores inscritos (420.630) e inclui dezenas de milhares de emigrantes que não podem votar no exterior.
Terje Roed-Larsen, o enviado especial do secretário-geral da ONU Kofi Annan, elogiou ''o sucesso'' da eleição e expressou o desejo de que este processo ajude o país a reencontrar sua soberania.
O general cristão Michel Aoun, outro líder da oposição que tinha se separado de seus aliados anti-sírios, considerou em declarações à rede de televisão privada LBC que o movimento de Hariri havia ''fracassado'' e que o fraco nível de participação refletia a ''decepção ou o desespero'' dos libaneses.
Os partidários de Aoun haviam lançado um apelo ao boicote destas legislativas.
As eleições dos membros do Parlamento, que tem 128 cadeiras, foram realizadas pela primeira vez sob supervisão internacional, com uma centena de observadores da União Européia (UE) no terreno. ''É a festa da democracia'', declarou à imprensa o chefe da missão dos observadores da UE, o eurodeputado espanhol José Ignaio Salafranca Sanchez-Neyra.
Estas eleições acontecem três meses depois do assassinato de Rafic Hariri, que teve como principal consequência acelerar a retirada do exército sírio do Líbano em razão das pressões da população libanesa e da comunidade internacional.
O clã Hariri multiplicou os apelos aos eleitores. ''Votem, pois o dia de hoje é decisivo para mostrar uma frente unida'', declarou Saad Hariri. O mufti sunita Mohammad Kabbani lançou um apelo semelhante.
Apesar da importância destas legislativas para o futuro do Líbano, este voto não foi objeto de uma verdadeira batalha. De fato, os aliados da Síria (que dominavam o Parlamento desde 1992) abandonaram a luta e a oposição já estava certa de conquistar uma grande maioria de cadeiras.
Para Gebrane Tuéni, redator-chefe do jornal An-Nahar e candidato grego-ortodoxo da lista Hariri, as eleições deste domingo constituiram ''um referendo'' depois da manifestação de 14 de março que havia reunido mais de um milhão de pessoas no centro de Beirute clamando por unidade.
''Voto em Hariri pois estou convencida de que tudo vai mudar com ele e que ele é o único que pode garantir meu futuro'', comentou Perla Bakhti, 21 anos.

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