São Paulo- O grupo extremista Hamas tomou ontem posse do novo Parlamento palestino, após obter a vitória nas eleições parlamentares do mês passado.
O Hamas assumiu o controle da casa no pleito de 25 de janeiro, no qual derrotou o partido Fatah que dominava há décadas o cenário político palestino. O grupo obteve 74 das 132 cadeiras do Parlamento.
Israel ameaça adotar novas restrições contra os palestinos para pressionar o novo governo, que deve ser liderado por Ismail Haniyeh.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pede que o grupo deixe de lado a violência e a pregação da destruição do Estado de Israel e aceite o acordo de paz entre os dois Estados.
''A Presidência e o governo palestinos continuarão a respeitar o compromisso com as negociações de paz, como uma escolha estratégica, pragmática e política'', afirmou Abbas em discurso ao Parlamento.
''Ao mesmo tempo, devemos fortalecer e desenvolver formas de resistência popular de natureza pacífica'', acrescentou.
Após a sessão, ocorrida em Ramallah, na Cisjordânia, e na faixa de Gaza via videoconferência, Abbas deveria fazer um convite formal a Haniyeh para a formação de um novo governo de coalizão.
Membros do Hamas afirmam que o grupo deve apresentar em breve sua proposta para o Parlamento incluindo uma plano de paz com Israel, se o Estado desocupar os territórios palestinos capturados em 1967.
No entanto, alguns integrantes do grupo afirmam que não deixaram de pregar a destruição de Israel nem reconhecerão seu direito de existência.
O negociador palestino Saeb Erekat afirmou que se o Hamas rejeitar a política de paz de Abbas, estará ''violando a Constituição, o que levará a uma crise de grandes proporções.''
Israel deve decidir hoje se tomará medidas contra o governo do Hamas, como a proibição de trabalhadores e mercadorias palestinas em Israel e em Gaza. Membros do governo israelense afirmam, no entanto, que uma decisão só será tomada depois que o Hamas assumir o controle do Parlamento e explicitar sua política.
Aziz Dweik, porta-voz do Hamas no novo Parlamento, afirmou que as políticas do novo governo serão baseadas em ''negociações com a preservação do direito de resistir (a Israel)''.

mockup