Hamas tira 3 mil homens das ruas
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sexta-feira, 26 de maio de 2006
Folhapress 
São Paulo - Num gesto visto como conciliatório, o grupo terrorista Hamas ordenou ontem a saída de três mil homens de suas milícias que estavam nas ruas da Cidade de Gaza durante semanas de confronto com as forças de segurança ligadas à Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Os choques entre os dois grupos deixaram dez mortos e dezenas de feridos. Na quinta-feira, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, deu um ultimato ao Hamas para que reconheça Israel e retome o diálogo de paz. O braço político da facção controla o Parlamento palestino depois de ter vencido as eleições de janeiro último de maneira esmagadora.
Se a proposta não for aceita num prazo de dez dias, Abbas afirma que lançará um plebiscito sobre um projeto de 18 pontos, que inclui a aceitação de um acordo de paz caso sejam devolvidos os territórios tomados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967). Integrantes do Hamas se dividiram quanto à possibilidade do plebiscito defendido por Abbas.
O primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, disse que iria discutir a proposta nos próximos dias com o presidente da ANP e examinar os aspectos legais para a realização de uma consulta popular. De acordo com um porta-voz do grupo terrorista, o presidente palestino, eleito pelo voto popular no ano passado, não tem o poder de lançar um plebiscito apenas com a assinatura de um decreto presidencial.
Em declarações, Haniyeh não se mostrou favorável a idéia de Abbas. ''Nós estamos caminhando segundo a nossa visão e o nosso programa político, e pela decisão do nosso povo. E o povo decidiu por meio da cédula de votação'', disse o premiê em referência à vitória do Hamas nas eleições para o Parlamento.
Apesar das discordâncias, o Hamas e o Fatah, partido de Abbas, concordaram em formar um comitê para resolver os conflitos internos. Os dois lados se encontraram pelo segundo dia consecutivo em reuniões para tentar uma solução para a crise.


