Cairo
O movimento fundamentalista palestino Hamas denunciou ontem a decisão da Autoridade palestina de retomar as negociações com Israel em nível de comissões, qualificando-a de ‘‘concessão gratuita’’. Em comunicado captado no Cairo, o Movimento da Resistência Islâmica (Hamas) estima que ‘‘a aceitação pela Autoridade Palestina de voltar à mesa das negociações com o inimigo, antes de cessarem as construções de colônias, é uma nova concessão gratuita’’.
Esta decisão ‘‘ignora a vontade do povo e revela o fosso que separa o povo palestino da Autoridade’’, acrescenta o comunicado. ‘‘Rechaçamos e denunciamos esta decisão’’, diz o Hamas que exige o cancelamento da decisão, e convoca os palestinos à luta armada. Israel e a Autoridade Palestina de Yasser Arafat decidiram retomar as discussões através de comissões mistas encarregadas de estudar as disposições em suspenso estabelecidas pelos acordos de autonomia, entre elas, a abertura de um aeroporto palestino e a construção de um porto na faixa de Gaza, além da libertação de palestinos prisioneiros de Israel e a possibilidade de os palestinos circularem entre a Cisjordânia e a faixa de Gaza.
Negociações Os palestinos retomam pouco a pouco as negociações com Israel, das quais desistiram há quatro meses, mesmo sem obter o cessar da colonização em seus territórios. Esta atitude ilustra o dilema do presidente palestino Yasser Arafat desde o lançamento em 1991, pelos Estados Unidos, do processo de paz, o qual se agravou pela intransigência da direita israelense liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no poder desde o ano passado.
Arafat tenta evitar dois grandes problemas: o colapso total do processo de autonomia, que une o futuro de seu povo e seu próprio destino político, e a insatisfação da população ante o afastamento da perspectiva de um Estado independente, com Jerusalém Leste por capital. É por isso que os palestinos abandonaram, em março passado, as negociações.
Um passo modesto, mas significativo foi dado segunda-feira, com a decisão de convocar nos próximos dias as comissões mistas israelense-palestina encarregadas de resolver as disposições deixadas em suspenso pelos acordos de autonomia.
Violência Um palestino foi morto ontem por um soldado israelense após ter ferido um outro militar com uma facada, no norte da Cisjordânia, informou a rádio pública israelense. O palestino colocou-se à frente de um grupo de militares e atacou um oficial, a quem feriu com uma facada no ombro. O soldado israelense atirou à queima-roupa, matando o palestino na hora. O incidente ocorreu em um cruzamento em uma estrada perto da colônia de Elon Moreh, nos arredores de Nablus. Um porta-voz militar confirmou, segundo um informe preliminar, que um militar havia sido ferido com uma facada.

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