Gaza - As Brigadas Ezzedin al-Qassam, o braço militar do movimento extremista islâmico palestino Hamas, prometeram a Israel, num comunicado, ''uma reação muito dura, com a dimensão de um terremoto''. A declaração é uma resposta à tentativa de assassinato ontem de Abdelaziz al-Rantissi, um dos principais dirigentes políticos do Hamas.
''De agora em diante todas as opções (militares) estão abertas, atacaremos o coração do inimigo sionista, e nossa resposta será muito dura, com a amplitude de um terremoto'', disse o Ezzedin al Qassam, no comunicado divulgado em Gaza.
''Depois da tentativa terrorista de eliminar o nosso líder Abdelaziz al-Rantissi, todos os israelenses são nosso alvo e ordenamos aos nossos grupos cometerem atentados suicidas em todos os territórios ocupados em 1948'', afirmou o comunicado. Anteriormente, Rantissi havia advertido: ''Não deixaremos um só judeu nos territórios palestinos. Nós os combateremos com todos os meios ao nosso alcance''. Em gravação divulgada pelo canal de TV Al Jazeera, do Qatar, Rantissi afirmou: ''Esta terra é nossa, não lhes pertence.''
O chefe espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, ameaçou ontem represálias contra os civis israelenses. ''Israel usa como alvo os civis palestinos. Assim, devemos usar como alvo os civis israelenses. A partir de agora, todos os civis israelenses são alvos'', declarou Yassin, após visitar Rantissi em um hospital de Gaza. ''Recebemos a mensagem de Israel, que agora deve esperar uma resposta'', afirmou.
Rantissi, 55 anos, considerado um líder político do Hamas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, foi ferido na manhã de terça-feira num ataque com mísseis disparados de helicópteros israelenses contra seu veículo, quando circulava pelo centro de Gaza.
''O Hamas exige de Abu Mazen (primeiro-ministro palestino) que tome a única decisão responsável que se impõe, que é suspender todos os contatos com o inimigo sionista, abandonar o 'mapa da paz' e confirmar o direito de nosso povo a resistir à ocupação'', indica o comunicado. ''O inimigo sionista declarou guerra contra o nosso povo, nosso movimento, nossa intifada, mas perderá esta guerra'', alerta o Hamas.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, expressou sua preocupação sobre a tentativa de Israel de matar um dos principais dirigentes do grupo extremista islâmico Hamas e argumentou que isso poderia complicar os esforços para deter a violência e o terrorismo no Oriente Médio.
''A liderança do Hamas tomou a decisão estratégica de destruir a implementação do plano de paz e qualquer abertura ao diálogo para terminar o terrorismo e reiniciar as negociações políticas'', afirmou Annan, por meio de um comunicado. O porta-voz do secretário-geral da ONU, Fred Eckhard, disse que Annan expressou uma ''séria preocupação sobre a tentativa de execução extrajudicial'' e reiterou sua oposição a ações desse tipo.
O ataque provavelmente ''complicará ainda mais os esforços do primeiro-ministro palestino (Abu Mazen) para deter a violência e o terrorismo dos grupos palestinos'', segundo o comunicado.

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