Hamas nega reconhecimento de Israel
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Folhapress 
São Paulo - A informação de que o Hamas poderia reconhecer Israel, mesmo ''indiretamente'', caiu ontem por terra, pouco depois da divulgação do acordo a que o grupo terrorista chegou com o Fatah, partido de Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Três representantes do Hamas negaram que o texto aceitasse esse reconhecimento. ''O documento possui uma cláusula explícita em referência ao não-reconhecimento da legitimidade da ocupação'', disse Sami Abu Zuhri, porta-voz do grupo.
A palavra ''ocupação'' se aplica, na terminologia do grupo islâmico, à presença de Israel nos territórios palestinos.
O deputado do Hamas Salah Bardavil declarou que aceitava apenas um Estado, em Gaza e na Cisjordânia. ''Mas não dissemos que aceitaríamos dois.''
O ministro palestino Abdul Rahman Zidan disse à BBC que não há reconhecimento indireto do Estado israelense. ''Trata-se de um acordo interno entre os palestinos. Vocês não encontrarão no documento uma única palavra que reconheça Israel'', afirmou ele.
O acordo ainda prevê a criação, em duas semanas, de um governo palestino unitário, em que o Hamas aceitaria no gabinete ministros do Fatah, disse o jornal israelense ''Haaretz''.
A idéia de dois Estados estava numa proposta anterior, elaborado por prisioneiros palestinos de diversas tendências, que estão em prisões israelenses.
Abbas pressionou o Hamas para que aceitasse a formulação. Ela traria, como vantagem adicional, a suspensão do embargo financeiro que inviabilizou a Autoridade Nacional Palestina, desde que o grupo islâmico conquistou, em janeiro, o governo local.
Abbas também convocou um plebiscito em 26 de julho, pelo qual perguntaria aos eleitores se eles se dispunham a aceitar o chamado ''documento dos prisioneiros'', que incluía o reconhecimento implícito de Israel. A questão, segundo pesquisas, receberia uma resposta positiva, desautorizando o Hamas.
Não está claro até que ponto o presidente palestino utilizou o reconhecimento de Israel como um balão de ensaio, quando seu propósito seria o de, mais modestamente, obter pelo acordo um governo também integrado pelo Fatah.
O ''Haaretz'' diz que um dos tópicos do documento é o que dá à OLP (Organização para a Libertação da Palestina) o monopólio do diálogo com Israel.


