Awad Awad/France PressePela pazHanuna, na cruz: ‘‘Queremos que o mundo saiba disso’’Um soldado israelense foi morto e três outros foram feridos ontem em um ataque do movimento islâmico Hamas no Sul do Líbano. O ataque foi o mais grave em quase dois meses na região de Marjayoun. O confronto na última zona de combate ativo no Oriente Médio aconteceu um dia depois de Israel ter iniciado o projeto de construção de mais de 6 mil casas para judeus na parte árabe da cidade de Jerusalém. O projeto recebeu críticas severas dos vizinhos árabes e de países da União Européia e grupos palestinos e antiisraelenses.
A guerrilha atacou uma patrulha israelense em Arnoun, na linha de divisão com a zona ocupada por Israel, com foguetes, granadas lançadas por foguetes e metralhadoras. Dois dos soldados feridos em estão em estado grave, segundo fontes da milícia pró-israelense SLA.
Um posto fortificado das tropas israelenses e um posto da SLA próximo também foram atacados com fogo de morteiros. Em represália, os israelenses usaram artilharia contra montanhas controladas pelo Hizbollah, ao norte da zona ocupada. Não há informações sobre feridos da guerrilha. Com o ataque de ontem, são seis o número de soldados israelenses mortos e 26 o de feridos este ano.
‘CrucificaçãoEm Beit Sahur, na Cisjordânia, um cristão palestino se amarrou a uma grande cruz de madeira ontem diante da futura colônia israelense, em protesto pelo que chamou de ‘‘crucificação da paz’’. ‘‘Todos nós somos crucificados. Jerusalém e o processo de paz também o foram; queremos que o mundo saiba disso e veja’’, disse Fares Hanuna, um estudante de 24 anos que pretendeu representar Cristo.
Três grandes cruzes de madeira foram cravadas numa colina de Beit Sahur, em frente de Abu Ghneim, onde máquinas israelenses levantam a colônia de Har Joma. Com um ramo de videira na fronte e as mãos presas com uma corda, Hanuna, com expressão grave, posa para as câmaras apresentando sobre o ventre um grande cartaz, no qual se pode ler: ‘‘Jerusalém, salam (paz em árabe)’’, e no qual estão impressos pombas, minaretes de mesquitas e igrejas.
Na outra cruz uma bandeirola apresenta os dizeres: ‘‘O processo de paz durou pouco tempo. Um vento a arrancou’’. Na outra cruz foi hasteada a bandeira palestina. Dezenas de pessoas cantam em uníssono hinos nacionalistas palestinos que falam de sacrifícios, por sua terra amada. ‘‘Vai-te da Palestina, Benjamin Netanyahu!’’ dizem a uma só voz.
Simpatizantes da causa palestina chegaram dos Estados Unidos com seus próprios cartazes: ‘‘As igrejas norte-americanas querem justiça’’ e ‘‘o povo norte-americano contra Har Joma’’. O famoso campo dos pastores de Noel se estende a poucos quilômetros de distância.

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