Um dos chefes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal organização integrista palestina, prometeu ontem ‘‘o inferno’’ a Israel, para vingar a morte de seus militantes abatidos pelo exército israelense.
‘‘O inimigo sionista abriu ele mesmo as portas do inferno e não é a visita de Shlomo Ben Ami a Gaza que mudará alguma coisa’’, afirmou Salah Chehadé, fundador do ramo armado do Hamas, a 30.000 pessoas reunidas no estádio Yarmuk de Gaza, para festejar o décimo terceiro aniversário da criação do movimento.
Chehadé se referia ao encontro realizado em Gaza, na quinta-feira à noite, entre o ministro israelense das relações exteriores, Shlomo Ben Ami, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, para examinar a possibilidade de retomar as negociações de paz.
Escoltado por três guarda-costas armados com fuzis M-16 e kalashnikovs, Salah Chehadé prometeu ‘‘vingar’’ os responsáveis do movimento e militantes de outras organizações palestinas abatidos nas últimas semanas pelo exército israelense em operações diversas.
Esta foi também uma das poucas aparições públicas deste dirigente do Hamas, liberado em 1999 por Israel, depois de ter cumprido 12 anos de prisão por ter criado as Brigadas Ezzedin al Qassam, braço armado do movimento.
‘‘Que os sionistas saibam que o fogo cairá sobre eles e que a vingança dos palestinos os espreita’’, afirmou.
Durante a manifestação, a multidão presente gritou lemas hostis a Israel, queimaram bandeiras israelenses e americanas, exibiram um asno vestido com as cores israelenses, degolaram um cordeiro coberto com a bandeira israelense e na cabeça uma foto do premier israelense renunciante, Ehud Barak.
Outros destruíram uma maquete da colônia judaica de Netzarim, um dos assentamentos na Faixa de Gaza onde se registraram os mais violentos confrontos desde que começou a Intifada, em 28 de setembro passado.
Na véspera, o Hamas pediu a continuação da Intifada, em um comunicado publicado em Gaza. ‘‘A escolha da jihad (guerra santa) é a única capaz de garantir a vitória’’, afirmou. O Hamas nasceu em 14 de dezembro de 1987 durante a primeira Intifada (1987-93) e é contrário aos acordos sobre a autonomia palestina.

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