Hamas fala em libertar reféns; EUA pedem cessar-fogo
Plano de Trump prevê também a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza
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sábado, 04 de outubro de 2025
Plano de Trump prevê também a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza
Agência France Presse 

O Hamas afirmou na sexta-feira (3) que está disposto a libertar os reféns sob seu poder na Faixa de Gaza, no contexto da proposta de cessar-fogo do presidente americano, Donald Trump, que pediu a Israel que encerre seus bombardeios contra o território palestino.
O plano de Trump contempla um cessar-fogo, a libertação dos reféns israelenses em 72 horas, o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza, após quase dois anos de conflito.
Também insiste em que o grupo islamita palestino e outras facções "não tenham nenhum papel no governo" da Faixa de Gaza e na criação de uma autoridade de transição liderada pelo presidente americano.
"O movimento anuncia a sua aprovação para a libertação de todos os reféns — vivos e restos mortais — segundo a fórmula de intercâmbio incluída na proposta do presidente Trump", assinalou o Hamas, que pediu "negociações" sobre os detalhes.
Negociações
Embora a resposta do grupo pró-Irã não mencione o seu desarmamento, Trump disse acreditar que o Hamas está pronto para "uma paz duradoura". "Israel deve interromper imediatamente o bombardeio da Faixa de Gaza, para que possamos libertar os reféns de forma segura e rápida", publicou em sua rede social.
O porta-voz do Hamas, Taher al-Nounou, considerou a declaração de Trump "encorajadora". "O Hamas está disposto a iniciar as negociações imediatamente", disse à AFP.
Já Israel anunciou neste sábado (4) que se prepara para uma libertação rápida dos reféns. "À luz da resposta do Hamas, Israel se prepara para a implementação imediata da primeira fase do plano de Trump para a libertação de todos os reféns", indicou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
"Seguiremos trabalhando em plena cooperação com o presidente e sua equipe para pôr fim à guerra segundo os princípios estabelecidos por Israel, que coincidem com a visão do presidente Trump", ressalta o comunicado.
Catar e Egito
O presidente americano havia dado ao Hamas um prazo até 19h (horário de Brasília) do próximo domingo para aceitar seu plano de paz. "Se este ACORDO FINAL não for alcançado, o INFERNO TOTAL, como ninguém jamais viu antes, será desencadeado contra o Hamas", escreveu o mandatário em sua plataforma Truth Social.
Os principais mediadores — Catar e Egito — receberam com satisfação as declarações do Hamas, e esperam que elas ajudem a garantir o fim do conflito.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "a todas as partes que aproveitem a oportunidade", enquanto os líderes Emmanuel Macron, da França; Friedrich Merz, da Alemanha; e Keir Starmer, do Reino Unido, saudaram a resposta como um passo importante em direção à paz.
'Locais de morte'
Uma fonte palestina próxima da cúpula do Hamas disse nesta semana à AFP que o grupo gostaria de "alterar algumas cláusulas, como o desarmamento e a expulsão dos dirigentes do Hamas". Outra fonte com conhecimento das negociações indicou à AFP que havia uma divisão no Hamas sobre o plano de Trump e pontos a serem discutidos.
A Defesa Civil do território palestino, uma força de socorristas que atua sob a autoridade do governo do Hamas, relatou sexta-feira bombardeios intensos de Israel contra Gaza, e afirmou que os ataques mataram 11 pessoas em todo o território palestino. O Exército de Israel não se pronunciou.
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As restrições aos veículos de comunicação na Faixa de Gaza e a dificuldade de acesso a muitas áreas do território palestino impedem a AFP de verificar de forma independente os números divulgados por ambas as partes.
O Exército israelense lançou no mês passado uma grande ofensiva aérea e terrestre para tomar o maior núcleo urbano de Gaza, o que obrigou centenas de milhares de pessoas a fugirem para o sul da Faixa.
O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, James Elder, declarou que não existe nenhum lugar seguro para os palestinos que receberam ordens de deixar Gaza, e que as zonas designadas por Israel no sul são "locais de morte".
Flotilha detida
Depois de quase dois anos de conflito — que começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o sul de Israel — aumentam as manifestações em todo o mundo. Nos últimos dias, os protestos se concentraram na interceptação de uma flotilha de ajuda à Faixa de Gaza.
A Global Sumud ("resiliência", em árabe) partiu em setembro de Barcelona, com ativistas como Greta Thunberg, para levar ajuda ao território palestino, que, segundo a ONU, sofre uma fome severa. Seus organizadores anunciaram sexta-feira que seu último barco havia sido interceptado, e Israel informou que deportou quatro integrantes italianos.




