Hamas convoca intifada permanente
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terça-feira, 18 de março de 1997
Jo Strich France Presse, de Amã 
Menahem Kahana/France PresseRepriseSoldados israelenses da força colocada no local das obras da vila tentam segurar palestinos: a história se repete O porta-voz em Amã do movimento islamita palestino Hamas, Ibrahim Ghoche, lançou ontem um apelo a uma intifada (rebelião) permanente até a libertação da terra palestina, para protestar pela construção da nova colônia judia de Har Homa, em Jerusalém Leste, que começou ontem quando quatro escavadeiras iniciaram as obras. Uma vasta mobilização das forças de ocupação israelense garantiu a instalação diante do olhar impotente de dezenas de palestinos mantidos a distância pelos guardas-fronteiras.
As escavadeiras mataram o processo de paz, disse à imprensa o dirigente palestino de Jerusalém, Faisal Husseini, marchando à frente de dezenas de manifestantes que protestavam pela construção na colina de Abu Ghneim, no limite entre Jerusalém Leste e Belém.
Os manifestantes tiveram alguns confrontos com as numerosas forças israelenses, que lhes impediram de chegar à colina. O único meio de defender o processo de paz é defender nossa terra, disse Husseini aos jornalistas. Como se pode conceber um processo de paz se não resta terra para negociar?, indagou Husseini.
Centenas de guardas-fronteiras, soldados e policiais israelenses estavam instalados desde a madrugada no local, a fim de impedir eventuais manifestações palestinas. Soldados de elite se posicionaram em torno da colina. O setor foi declarado zona militar fechada pelo Exército, e unidades blindadas se encontram em estado de alerta. O chefe do estado-maior adjunto israelense, general Matan Vilnai, que chegou ao local em helicóptero, estimou que a situação estava sob controle.
Do seu quartel-geral de Gaza, o presidente palestino Yasser Arafat pediu ao seu povo que evite a violência. Seu porta-voz, Marwan Kanafani, afirmou que o começo das obras representava uma sentença de morte para os esforços mobilizados há dias para organizar uma cúpula entre Arafat e o premier Benjamin Netanyahu.
Netanyahu insistiu por seu lado em que os acordos de autonomia não impedem em absoluto Israel de construir em Jerusalém. Espero que a Autoridade Palestina dê mostras de responsabilidade, acrescentou, ao mesmo tempo em que a acusava de ter libertado recentemente terroristas e de incitá-los a agir contra Israel.
O governo conservador israelense decidiu iniciar as obras apesar das críticas internacionais e árabes pela ameaças que podem causar ao processo de paz. O ex-ministro trabalhista Uzi Baram foi ao local das obras, as quais qualificou de erro histórico. O futuro bairro de Har Homa terá 6.500 moradias. Trata-se do 11º bairro judaico de Jerusalém Leste, a parte árabe da cidade, que foi ocupada e anexada por Israel em 1967.


