Apesar dos temores de distúrbios, atrasos na abertura de centros eleitorais e problemas logísticos, houve uma grande participação dos 4,2 milhões dos eleitores haitianos ontem para eleger 83 deputados da Câmara Baixa, 18 dos 27 senadores, 133 prefeitos e os membros dos conselhos comunais e municipais.
Desde as eleições presidenciais de 1995 até as parlamentares anuladas de abril de 1997, a abstenção vem sendo de mais de 80%.
Mesmo com a campanha tendo sido marcada por assassinatos e intimidações – pelo menos 15 pessoas foram mortas –, a votação, cuja jornada foi das 6 horas às 18 horas locais, transcorreu sem incidentes de violência .
Nas primeiras horas de votação, vários centros eleitorais em Porto Príncipe, a capital, permaneciam fechados por falta de material eleitoral e de mesários. Imensas filas foram formadas em alguns bairros da capital, principalmente em Cité Soleil (norte), Carrefour Feuille (sul) e Delmas (leste).
Em Cité Soleil, indivíduos desconhecidos impediram a entrada de um grupo de observadores nacionais em pelo menos um centro de votação.
A oposição anunciou ontem logo pela manhã que não vai reconhecer os resultados nas eleições legislativas, municipais e locais na Ilha de la Gonave, na baía de Porto Príncipe.
Um líder da Organização do Povo em Luta, Gérard Pierre-Charles, e outro da coalizão de centro-esquerda Espaço de Concertação, Evans Paul destacaram que o sistema eleitoral estava totalmente controlado pelo partido Família Lavalas, do ex-presidente Jean Bertrand Aristide (1991-1996).

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