Em meio à dor dos ferimentos, uma haitiana resgatada dos destroços deu à luz no sábado a um menino pouco antes de subir em um helicóptero da Marinha americana que a levaria ao porta-aviões Carl Vinson, na costa de Pirto Príncipe, onde receberia tratamento médico.
A mulher, que não teve o nome revelado, integrava um grupo de seis haitianos gravemente feridos no terremoto de terça-feira e que estavam sob proteção da Marinha dos Estados Unidos.
O pequeno grupo estava a bordo de um barco da guarda costeira dos Estados Unidos e a tripulação pediu um helicóptero para transportar os feridos a um hospital dos arredores de Cabo Haitiano.
Porém, no momento de subir no helicóptero, a mulher grávida sentiu fortes contrações e entrou em trabalho de parto, segundo o tenente Tim Williams.
MO helicóptero transportou os seis feridos e o bebê ao porta-aviões alguns minutos depois, onde receberam cuidados médicos.
As equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Haiti afirmaram ontom nunca ter visto tantos ferimentos tão graves como os registrados após o violento terremoto no país mais pobre das Américas.
Segundo a organização, desde sua chegada as unidades cirúrgicas da MSF, em Porto Príncipe, funcionam sem parar com o objetivo de dar conta do grande número de feridos.
''A prioridade vai para os casos mais urgentes. As equipes já praticaram cesáreas e amputações. A equipe médica experiente da MSF afirma nunca ter visto tantos ferimentos tão graves'', segundo um comunicado da organização divulgado em Paris.
Segundo um dos coordenadores da MSF em Porto Príncipe, ''a reação da população foi imediata quando soube do início das atividades médicas de urgência no bairro de Carrefour''.
Os hospitais na região estão lotados de feridos e têm um número limitado de funcionários, material e remédios.
A associação está preocupada com a situação no aeroporto de Porto Príncipe. A MSF tinha 30 voluntários no país no momento do tremor e conseguiu enviar mais 70 nos dias seguintes.
Um dinamarquês, membro da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), foi resgatado ontem dos escombros em Porto Príncipe. ''Acabaram de resgatá-lo sem um arranhão'', declarou um alto funcionário da Minustah, que pediu para não ser identificado, ao se referir ao sobrevivente Jen Kristensen. A ONU, cuja sede em Porto Príncipe desabou, tinha confirmado anteriormente a morte de 40 funcionários e 330 desaparecidos.
O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, enviado especial das Nações Unidas, viajará hoje ao Haiti para entregar ajuda e se reunir com líderes do país e sobreviventes, informou a sua fundação ontem.

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