São Paulo - A Cruz Vermelha alertou ontem sobre o perigo de epidemias no Haiti, três dias depois da passagem da tempestade tropical Jeanne. Pilhas de cadáveres se formam em frente aos necrotérios, animais mortos bóiam em lamaçais e sobreviventes caminham pelas ruas carregando sobre a cabeça os pertences que restaram. Mais de 800 pessoas morreram e outras mil permanecem desaparecidas, segundo dados parciais.
Autoridades haitianas preparam enterros coletivos. ''Diante do estado dos corpos, decidimos enterrar os mortos em valas comuns'', afirmou o ministro do Interior, Herard Abraham. A decisão vai de encontro a crenças religiosas, e as equipes humanitárias precisam convencer a população. Na cidade de Gonaives, onde morreram mais de 600 pessoas, os necrotérios já não têm espaço e os cadáveres se decompõem rapidamente em razão do calor.
A maioria dos corpos permanece desaparecida ou não identificada. ''Muitos foram levados para o mar. Outros ainda estão enterrados na lama ou flutuando na água. Isso para não falar nos lugares aonde ainda não conseguimos chegar'', disse o porta-voz do órgão de Proteção Civil, Dieufort Deslorges. Especialistas afirmam que não está descartado o perigo de a tempestade tropical, que está no oceano, voltar à região.
Durante uma das primeiras distribuições de comida, forças de segurança da ONU precisaram dar tiros para o alto para conter a multidão faminta. Uma fila com mais de 200 pessoas se formava diante da catedral de Gonaives quando algumas pessoas tentaram romper as barreiras. Para conter o tumulto, os voluntários atiraram para o alto. Ninguém ficou ferido.
A Cruz Vermelha pediu US$ 3,3 milhões para socorrer as vítimas. Pelo menos 250 mil pessoas estão desabrigadas. Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Espanha, Estados Unidos e França já mandaram ajuda. ''Precisamos com urgência de comida e água potável. A contaminação das fontes de água e a inundação de esgotos podem causar epidemias'', disse o porta-voz da organização.

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