Imagem ilustrativa da imagem Haiti de luto pelos mortos do furacão Matthew
| Foto: Rodrigo Arangua/AFP




Porto Príncipe - O Haiti iniciou neste domingo (9) três dias de luto pelos mortos do furacão Matthew, que perdeu a categoria de furacão e passou a ser um "ciclone pós-tropical" depois de atingir a costa sudeste dos Estados Unidos deixando nove mortos.

Às 12 horas (9 horas de Brasília), Matthew ainda tinha ventos fortes de furacão à medida que se deslocava pela costa americana. Mas a atenção se concentra no Haiti, o país mais pobre das Américas, que ainda não se recuperou do devastador terremoto de 2010 e que sofre uma epidemia de cólera.

Matthew tocou terra haitiana na terça-feira como um monstruoso furacão de categoria 4 em uma escala de 5, com ventos de 230 km/h. Imagens aéreas das zonas do sul do país mais afetadas mostravam uma paisagem devastadora, com casas destruídas, árvores arrancadas e muita lama por toda parte. A Defesa Civil informou sobre um balanço oficial provisório de 336 mortos. A Unicef estimou em 1,3 milhão - 10% da população total - o número de haitianos afetados pelo furacão. Destes, 500 mil são crianças.

O presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, declarou três dias de luto nacional a partir deste domingo diante dos estragos provocados pelo ciclone. Em Jérémie, a situação era desesperadora, enquanto na baía de Abricots, a 17 km de Jérémie, os habitantes só têm alimentos para 10 ou 15 dias, disse David Millet, que trabalhou durante anos para a ONG Agrônomos e Veterinários Sem Fronteiras. Em certas zonas do território até 80% dos cultivos foram arrasados.


As promessas de ajuda se multiplicavam. Os Estados Unidos anunciaram o envio do navio USS Mesa Verde com 300 efetivos especializados em emergências médicas, assistência e reconstrução, e três helicópteros, que se somarão a uma equipe de 250 pessoas e nove helicópteros já prontos para ser mobilizados no Haiti. A França anunciou o envio de 60 oficiais com 32 toneladas de ajuda humanitária e equipamentos para purificação da água, enquanto a Venezuela, que sofre uma severa crise de desabastecimento, enviou três cargas de ajuda e alimentos.

O grupo de caridade International Relief Teams, com sede na Califórnia, disse que doou US$ 7 milhões em itens médicos, junto com MAP International e Hope for Haiti. "Muita gente perdeu tudo", disse a ONG Care-France.

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