Melissa Eddy
Associated Press
Klagenfurt, Áustria
Dando uma pausa em sua disputa com o mundo, Joerg Haider mostrou um outro lado pessoal ontem, quando convidou jornalistas estrangeiros para tomar café e comer sanduíches a fim de falar com eles sobre sua imagem – e como todos o entenderam mal.
Israel, que o baniu, irá em breve tornar-se um amigo, disse ele, e a única coisa que o presidente dos EUA, Bill Clinton, tem a temer é perder dele na maratona de Nova York.
Mesmo em meio à sua ofensiva de charme, Haider demonstrou mais uma vez seu outro lado – ele se recusou a condenar coletivamente a Waffen SS (tropa de choque nazista), em comentários feitos ao diário alemão ‘‘Die Welt’’.
‘‘Creio que não pode haver purgação coletiva de culpa ou parcial culpa e nem uma condenação coletiva’’, disse Haider, numa entrevista a ser publicada nesta terça-feira.
Haider afirmou que a Áustria é uma nação ‘‘onde a culpa individual é que importa. Portanto, nunca poderá ser a Waffen SS como tal mas apenas indivíduos que falharam e que carregam a responsabilidade’’ por crimes cometidos pela organização nazista.
Os comentários foram os últimos numa série de declarações que Haider tem feito nos últimos anos simpáticas a certos aspectos do regime nazista.
Em 1990, ele afirmou a um grupo de veteranos da Segunda Guerra Mundial que ‘‘nossos soldados não foram criminosos; no máximo, eles foram vítimas’’. Cinco anos depois, ele disse em outra convenção de veteranos, incluindo ex-membros da Waffen SS, que ‘‘ainda existem pessoas decentes de bom caráter que também se agarram a suas convicções, apesar da maior das oposições, e permaneceram fiéis a suas convicções até hoje’’.
Tal linguagem não foi ouvida ontem em Klagenfurt – território onde o pessoal de Haider planejou a ofensiva de charme.
Caríntia, a província governada por Haider, é um local de cartão-postal, com límpidos lagos em montanhas e imponentes picos nevados alpinos. Klagenfurt, sua capital, tem poucos residentes de aparência estrangeira e a cidade tem um ar de prosperidade sólida, pacífica.
Haider tornou-se governador – um cargo que havia perdido anteriormente por causa de várias declarações controvertidas incluindo o elogio a ‘‘decentes políticas trabalhistas’’ na Alemanha nazista – depois que seu partido ganhou a maioria dos votos nas eleições provinciais em 1999, pouco antes de seu partido ficar em segundo lugar nas eleições parlamentares nacionais.
Na semana passada, o político de 50 anos fez aumentar a controvérsia envolvendo a Áustria pelo fato de seu partido ultradireitista ter ficado com metade dos cargos no novo governo, ao responder asperamente ao presidente da França, ao governo da Bélgica e fazer outras críticas em linguagem dura que fez exasperar as tensões.
Certamente seus comentários ao ‘‘Die Welt’’ irão provocar novas controvérsias. Ontem em Klagenfurt, entretanto, era um diferente Haider que falava. ‘‘É estupidez imaginar que todo o mundo esteja com medo do senhor Haider’’, disse ele aos repórteres lotando uma sala de um hotel nos arredores de Klagenfurt. ‘‘É inacreditável’’.
Em Viena, a embaixadora americana Khathryn Walt-Hall reuniu-se na noite de anteontem com o chanceler Wolfgang Schuessel, expressando ‘‘grande preocupação’’ com a participação do partido de Haider no governo, antes de partir para Washington para consultas. Haider ironizou reação dos EUA: ‘‘Clinton está com medo de não me vencer na maratona de Nova York’’.
Em outra declaração conciliatória, Haider disse esperar que Israel – que baniu sua entrada por seus elogios à era nazista e a alguns que serviram com Hitler – perceba em breve que esta decisão e outra de chamar para consulta seu embaixador, são erradas. Então, ‘‘seremos bons amigos no futuro’’, afirmou Haider.
Ele buscou até apresentar seu elogio à era nazista como positivo – porque ele posteriormente se desculpou. ‘‘Sou um dos poucos políticos que mostraram que é possível cometer um erro... e se desculpar por isto’’, disse Haider.
Apesar da ofensiva de charme, vários países continuaram a implementar suas promessas de sanções contra a Áustria – entre eles os outros 14 membros da União Européia. O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, adiou indefinidamente uma viagem à Áustria planejada para ocorrer em março. Em Lisboa, o gabinete presidencial afirmou que a decisão foi tomada ‘‘devido à atual situação na Áustria e em acordo com a posição da União Européia’’, que é presidida interinamente por Sampaio.Mesmo em meio a uma ofensiva de charme, Joerg Haider demonstrou seu lado ‘nazista’ recusando-se a condenar coletivamente a Waffen SS
France PresseDireita do poderHaider (e), o ministro das Finanças, Karl Heinz; Peter Westhalen (deputado) e o ministro da Defesa Herbert ScheibnerFrance PresseEmbaixadora dos EUA e Schuessel

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