Haia rechaça proposta de imunidade
O tribunal internacional de crimes de guerra para a Iugoslávia rechaçou ontem a proposta de um enviado da ONU para conceder imunidade ao presidente iugoslavo Slobodan Milosevic caso ele renuncie. Jiri Dienstbier, representante das Nações Unidas nas antigas repúblicas da Iugoslávia e ex-chanceler checo, sugeriu que retirar as acusações contra Milosevic poderia beneficiar a estabilidade nos Bálcãs.
Milosevic, que negou-se a reconhecer sua derrota nas eleições de 24 de setembro, foi acusado por crimes de guerra em Kosovo, que, no ano passado, resultaram em 78 dias de bombardeios por parte da Otan. O tribunal tem sua sede na cidade holandesa de Haia.
Depois de regressar de Belgrado ontem pela manhã, Dienstbier afirmou a jornalistas, em Praga, que castigar Milosevic não seria interessante para o futuro de 10 milhões de sérvios e provavelmente a totalidade dos Bálcãs.
O único acordo possível, e o mais importante para Milosevic, é que haja garantias de que, caso abra mão de seu poder, ele não será julgado e de que não passará o resto de sua vida numa prisão.
Após as afirmações de Dienstbier, o porta-voz do tribunal da ONU, Jim Landale, afirmou que tais comentários são extremamente preocupantes. Ele acrescentou que o indiciamento contra Milosevic apenas poderia ser retirado por um juiz a pedido da promotora-chefe da ONU, Carla Del Ponte, que se encontra em Sarajevo.
O porta-voz de Del Ponte, Paul Risley, disse, em Haia, que a promotora já expressou várias vezes sua recusa em retirar as acusações contra Milosevic. Pelo contrário, afirmou Risley, ela está trabalhando para expandir a acusação, acrescentando crimes que teriam sido cometidos pelo presidente iugoslavo durante os conflitos étnicos na Bósnia e na Croácia.





