Há 60 anos, EUA testavam a primeira bomba nuclear
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Stephen Collinson<br>France Presse 
Washington - Pouco antes do amanhecer de 16 de julho de 1945, um sábado, o mundo mudou para sempre quando, no deserto do Novo México, os Estados Unidos testaram a primeira bomba nuclear e a humanidade passou a ficar a mercê de seu potencial de destruição.
A terrível beleza da explosão, que há 60 anos banhou as montanhas próximas com uma luz ofuscante, gerou consequências militares e políticas durante décadas, deu início à corrida armamentista da Guerra Fria e desatou o medo do poder nuclear.
''Desde então, a humanidade inteira tem vivido com a ameaça da aniquilação'', afirma Peter Kuznick, professor de história especializado em temas nucleares da American University de Washington.
As dores de cabeça provocadas pelo tema nuclear ainda dominam a política externa americana, num momento em que o Japão se prepara para recordar o 60º aniversário dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, poucas semanas depois do teste nuclear no deserto de Alamogordo, Novo México.
Os Estados Unidos estão envolvidos no pós-guerra do Iraque, conflito que justificou com a alegação de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. O governo do presidente George W. Bush também demonstra preocupação com o suposto interesse do Irã em desenvolver armas nucleares e com o programa nuclear da Coréia do Norte, dois países que integram o que Bush chamou de ''eixo do mal''.
Em 15 de julho de 1945, quando ''Little Boy'', a bomba lançada sobre Hiroshima, era embarcada a bordo do cruzeiro Indianápolis com destino à ilha de Tinian, cientistas do Projeto Manhattan, como era chamado o programa de armas nucleares, se reuniam em uma área de testes batizada de Trinity, em pleno deserto, a 350 km de Los Alamos.
No amanhecer do dia 16 de julho, as condições meteorológicas foram consideradas satisfatórias. Pouco depois das cinco da manhã aconteceu a primeira explosão nuclear da história. As testemunhas lembram de um relâmpago cegante, seguido de uma enorme detonação.
''Descobrimos a bomba mais terrível na história do mundo'', escreveu o presidente Harry S. Truman em seu diário no dia 25 de julho de 1945, três meses depois de suceder o falecido Franklin D. Roosevelt.


