Há 37 anos morria John Kennedy
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quarta-feira, 22 de novembro de 2000
France Presse De Washington 
No dia 22 de novembro de 1963 morria assassinado o 35º presidente dos Estados Unidos e nascia a lenda de John Fitzgerald Kennedy, entronizado como um dos símbolos dos anos 60.
Kennedy estava naquele dia em visita eleitoral a Dallas, preparando as eleições do ano seguinte, quando pretendia se reeleger. Para atravessar a cidade texana, usou uma limusine conversível junto com sua mulher, Jackeline.
No centro de Dallas, houve três disparos contra o carro presidencial. Uma bala destroça a cabeça de Kennedy, que morre instantaneamente.
A notícia emociona o mundo, e os mil dias de sua presidência o transformam imediatamente num dos mitos da era contemporânea.
Nascido em Boston a 29 de maio de 1917, de uma rica família católica de origem irlandesa, formado na elitista Universidade de Harvard, o jovem John se distingue como oficial da Marinha na Segunda Guerra Mundial, e é ferido em combate no oceano Pacífico.
Quando a 8 de novembro de 1960 ganha a presidência por somente 115.000 votos de vantagem sobre o vice-presidente, o republicano Richard Nixon, Kennedy se cerca de um grupo de homens jovens e dinâmicos resolvidos a aplicar seu programa de conquista de uma nova fronteira.
Na educação, assistência à velhice, igualdade dos direitos civis para as pessoas da raça negra, ajuda aos países subdesenvolvidos e a aventura do espaço.
Aos olhos do mundo, é o líder que decidiu enviar um homem à Lua e que enfrentou a União Soviética durante as crises dos mísseis em Cuba, em 1962.
Com Jackeline formou um casal dos sonhos que fascinou as jovens ocidentais. Homem profundamente moral e honesto, entregue à sua pátria, bom filho, melhor pai e marido. Quase 40 anos depois, o mito sobrevive e Kennedy continua sendo um dos presidentes norte-americanos mais queridos. Mas historiadores e jornalistas passaram a indagar sobre o lado oculto de Kennedy.
O retrato esboçado é o de um personagem sem escrúpulos, com obsessão sexual e cujos vínculos com a máfia não deixam mais dúvidas. Antigos membros dos serviços secretos ou pessoas próximas ao presidente contam suas aventuras sexuais com numerosas mulheres.
A mais conhecida de todas, a atriz Marilyn Monroe. Entre as outras, Judith Campbell Exner, uma amante que compartilhou nada menos que com o mafioso Sam Giancana. Este chefão do crime organizado de Chicago afirmou em 1991 que serviu de intermediário a Kennedy, entregando à máfia maletas cheias de dinheiro ou informações sobre Cuba.
No entanto, tais revelações não mancharam em excesso a memória do presidente entre a opinião pública, que parece ter uma certa necessidade de acreditar na lenda de JFK.
Claro, as circunstâncias misteriosas de sua morte contribuíram notavelmente para cimentar essa lenda. Em setembro de 1964, a conclusão do inquérito oficial (o informe da Comissão Warren) conclui que o presidente foi assassinado por Lee Harvey Oswald disparando com um rifle do sexto andar de um depósito de livros da Rua Elm naquela manhã de novembro de 63.
Esta conclusão foi questionada por vários investigadores e por um comitê do mesmo Senado em 1976, e refutada por um informe da comissão especial da Câmara de Representantes, que admitiu a existência de um complô para matar o presidente, e exigiu do Departamento de Justiça uma investigação, que este abriu em janeiro de 1980. Nada se sabe ainda o que aconteceu com ela.
Kennedy foi vítima de uma conspiração da CIA e da indústria bélica por seu propósito de reduzir a tensão da guerra fria, e sair do Vietnã, como assegura o promotor Jim Garrison em seu livro JFK. Atrás da Pista dos Assassinos, em que o cineasta Oliver Stone baseou seu famoso filme de 1991 JFK?
A máfia o matou, alarmada com os planos contra ela que o governo supostamente preparava? Ou algum dos itens anteriores ajudado pelo exílio cubano radical, enojado pela frustrada tentativa de invasão de Cuba na Baía dos Porcos (1961) e acreditando que Kennedy não lhes ajudaria a terminar com Fidel Castro? Ou por acaso o serviço secreto soviético, a KGB?


