Gusmão faz apelo para o cessar-fogo em Timor
O líder dos independentistas de Timor Leste, Xanana Gusmão, pediu ontem o cessar-fogo na ilha, onde foi iniciada uma revolta popular após o anúncio, feito na quarta-feira pela Indonésia, de que poderá conceder a independência ao território depois de 23 anos de um sangrento controle militar. Pelo menos seis pessoas morreram ontem em distúrbios no distrito de Kovalima, sudeste da capital, Dili. Acho que a Indonésia deve começar a desarmar a população, as Forças Armadas indonésias devem reduzir suas tropas e, se possível, obter um acordo de cessar-fogo, disse Gusmão a repórteres desde a penitenciária de Cipinang, em Jacarta.
O anúncio indonésio intensificou os recentes choques entre as distintas facções da população, que é em sua maioria católica. Os independentistas atacaram os unionistas, em geral indonésios emigrados para Timor Leste desde a ocupação, em 1975, e armados pelo governo colonialista.
Gusmão saudou a mudança política da Indonésia, mas destacou que o território precisa de algum tempo para preparar-se para a independência. Antes tarde do que nunca, disse.
O assessor para assuntos externos do presidente B. J. Habibie, Dewi Fortuna Anwar, informou que Timor Leste poderá ser independente em um ou dois anos se o novo Parlamento (que será formado após as eleições de junho) aprovar a medida. Contudo, Fortuna esclareceu que a independência só será debatida se os timorenses rejeitarem a proposta de ampla autonomia apresentada por Jacarta.
Representantes da Indonésia e de Portugal iniciaram na quinta-feira uma rodada de negociações na sede das Nações Unidas, em Nova York, para discutir sobre o futuro de Timor Leste. O representante especial da ONU, Jamsheed Marker, disse que conversou com a delegação indonésia sobre o anúncio de Jacarta.
A grande preocupação internacional é a recente onda de violência em Timor Leste, que já levou cerca de 6 mil timorenses a buscar refúgio na Igreja Católica de Suai, 100 quilômetros da capital, Dili. Está próximo um banho de sangue, é o prenúncio de uma guerra civil, disse um funcionário do Centro Internacional de Apoio a Timor Leste, com sede em Darwin.
Diversas organizações humanitárias informaram que no último mês vários povoados próximos a Suai foram atacados por grupos de civis armados, que perseguem os suspeitos de serem favoráveis à independência. Mais de 20 pessoas foram mortas.France-PresseXanana Gusmão faz apelo à suspensão das hostilidades diretamente da cadeiaReuters





