São Paulo - Guerrilheiros leais a um clérigo xiita anti-americano tomaram durante horas o controle da cidade de Amarah, no sul do Iraque, num ataque audacioso que deixou 25 mortos ontem. Vestidos com uniformes negros e capuzes, os guerrilheiros ocuparam uma área normalmente dominada por uma outra milícia xiita iraquiana, numa cidade em que apenas recentemente tropas americanas cederam o controle das forças de segurança para policiais iraquianos.
Sextas-feiras são consideradas dias sagrados para os muçulmanos, mas no Iraque isso já não impede mais as milícias de agirem. Há exatamente uma semana começava a matança em Balad (cidade ao norte de Bagdá) que deixou mais de cem pessoas - na maioria su© nitas - mortas em uma vingança de esquadrões da morte xiitas que durou cerca de quatro dias.
Os esquadrões que atuaram em Balad são supostamente os mesmos que fazem parte do Exército Mahdi, do clérigo xiita Muqtada al Sadr, que realizou o ataque em Amarah ontem.
O ataque à Amarah deixou a cidade sob o controle dos xiitas do Exército Mahdi durante várias horas. A força policial local é controlada pela Brigada Badr do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (Sciri, na sigla em inglês). A brigada, também xiita, é uma das principais forças policiais no país e tem profundos laços históricos com o Irã.
O confronto em Amarah marcou um dos primeiros choques sérios entre milícias xiitas. Até agora, a maioria dos assassinatos sectários eram de disputas entre xiitas e sunitas.
Um porta-voz do Exército britânico em Basra (quartel-general dos 7.200 soldados britânicos no Iraque) tentou diminuir a importância do confronto em Amarah. Ele afirmou que uma força de 600 policiais iraquianos conseguiu forçar os guerrilheiros xiitas para fora das ruas e firmaram uma trégua entre os grupos na tarde de ontem.
O número de guerrilheiros do Exército do Mahdi que tomaram a cidade foi estimado entre 200 e 800 pessoas. O confronto supostamente começou devido ao assassinato na última quinta-feira de Qassim al Tamimi, o chefe da inteligência policial da Província e um dos líderes da Brigada Badr. Em retaliação, sua família sequestrou o irmão adolescente do comandante do Exército Mahdi em Amarah, o xeque Fadel al Bahadli.

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