Guerrilheiros e governo acertam paz na Guatemala
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quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Reuter 
OSLO - Representantes da guerrilha e do governo guatemaltecos assinaram ontem em Oslo um acordo de cessar-fogo permanente, pondo fim à mais longa guerra civil da América Latina, que se prolongou por 36 anos. O documento, firmado na sede do governo da Noruega, é o primeiro de uma série de três que serão assinados na Europa até o final da próxima semana. Um acordo de paz final será firmado numa solenidade marcada para 29 de dezembro, no México.
A assinatura da declaração de paz se deu quase sete anos depois de os guerrilheiros e o governo da Guatemala abrirem negociações, numa reunião realizada também em Oslo. A delegação do governo para a assinatura do acordo de ontem foi chefiada por Gustavo Porras. O comandante rebelde Rolando Morán, da Unidade Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG), liderava a representação dos guerrilheiros.
Com esse acordo, as armas serão silenciadas para sempre na Guatemala, disse Morán durante a cerimônia. Nós, os guatemaltecos, queremos estar seguros de que o sofrimento não foi em vão e de que essa guerra não voltará a acontecer jamais, afirmou Porras.
Entre os cerca de 700 convidados para a cerimônia de assinatura estavam a líder indígena guatemalteca Rigoberta Menchú - ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1992 - e algumas vítimas e parentes de vítimas da guerra civil, que deixou um saldo de 140 mil mortos.
Um dos principais pontos do acordo foi a instituição de uma anistia geral aos integrantes da guerrilha e aos militares que cometeram abusos no combate aos rebeldes.


