LIMA - Os guerrilheiros que mantêm 72 reféns dentro da residência do embaixador do Japão em Lima, há mais de um mês, voltaram dar tiros para o ar ontem e gritar palavras de ordem revolucionárias em memória de sindicalistas mortos em 1979. A televisão local mostrou imagens de uma rajada de tiros disparos na parte da frente da residência, com intervalo de dois segundos entre cada tiro. Ao fundo se ouviam os gritos de um dos guerrilheiros que fazia homenagem aos colegas mortos.
Os tiros foram dados logo nas primeiras horas da manhã, seguidos de um discurso de cinco minutos feito por um dos homens do grupo Tupac Amaru com a ajuda de um megafone. No discurso, foi citado o nome de cada um dos sindicalistas mortos durante uma greve em um fábrica téxtil perto da capital, há 18 anos, da qual participou o líder do Tupac Amaru, Nestor Cerpa. Os sequestradores ocupam a embaixada há 49 dias. ‘‘Camaradas, tomem nosso sangue e transformem em uma torrente de força revolucionária’’, gritou o guerrilheiro ao fim do discurso. ‘‘Vocês ouviram isso?’’
Segundo testemunhas, a polícia não parecia alarmada pelos tiros ou pelos gritos dos rebeldes. Mesmo assim, um carro blindado da polícia que estava estacionado há 200 metros da propriedade teve os motores ligados. Um policial que estava de guarda comentou: ‘‘Eles fazem isso para chamar nossa atenção.’’
Horas depois, cartazes com dizeres lembrando a greve e os mortos foram colocados em uma das janelas da residência. ‘‘Glória e honra aos trabalhadores mártires da Cromotex. 4 de fevereiro 1979-1997’’, diz um dos cartazes.

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