Associated Press
De Gutiérrez
Os corpos amontoados de dezenas de soldados estavam jogados em um campo nas proximidades da cidade andina de Gutiérrez ontem, um dia depois de intensos combates entre o exército colombiano e rebeldes esquerdistas nas montanhas ao sul da capital Bogotá.
O comandante do exército, general Jorge Enrique Mora, disse ontem que pelo menos 38 soldados morreram nos combates, iniciados quando rebeldes atacaram um acampamento móvel do exército. O número de mortos entre os rebeldes era incerto ontem.
Os combates de quinta-feira foram especiais porque os rebeldes normalmente não atacam com um número tão grande de homens nas proximidades da capital colombiana.
Enquanto repórteres observavam o local, um soldado de 19 anos saía da selva confuso e olhou para os soldados mortos, muitos dos quais aparentemente levaram tiros na cabeça à queima-roupa. Parado sobre um corpo com ferimentos no pescoço e no peito, ele desabou em soluços. ‘‘Eles mataram meu irmão. Eles mataram meu irmão’’, dizia o jovem recruta, que se identificou apenas como Freddy e contou que sobreviveu porque se escondeu por três horas em um rio.
Líderes militares estão classificando os combates como uma posição de bravura frente a uma incursão rebelde contra Bogotá. Mas o cenário do campo de batalha sugeria outra rota tomada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mais poderoso movimento rebelde da América Latina.
Os combates pareciam ser uma demonstração de força da guerrilha a menos de duas semanas do início de negociações de paz substanciais com o governo do presidente Andrés Pastrana.
As Farc foram contrárias a um cessar-fogo e deixaram clara sua intenção de prosseguir com sua insurgência de 35 anos, mesmo aderindo a negociações com o governo.
O comandante das Farc Raul Reyes disse à Associated Press esta semana que ‘‘a guerra continuará em todo o país’’ até que o processo de paz mostre resultados claros. Reyes foi entrevistado em La Machaca, um vilarejo que compõe uma vasta região ao sul do país, de onde Pastrana retirou todos os soldados do governo para facilitar as negociações, com reinício marcado para 20 de julho.
Pastrana disse ontem que viu estes combates com ‘‘tristeza’’ e afirmou que o país estava cansado de ver ‘‘rios de sangue’’.
Os combates de anteontem duraram cerca de 12 horas e aparentemente começaram quando rebeldes das Farc incursionaram contra um campo do exército nas proximidades de Gutiérrez, a 50 quilômetros de Bogotá. Segundo o exército, seus 600 soldados enfrentaram 500 guerrilheiros das Farc, que contam com 15 mil membros.
O exército alega que pelo menos 38 rebeldes morreram, mas Cesar Uruena, um funcionário da Cruz Vermelha Colombiana que vasculhou o campo de batalha em Gutiérrez, disse que suas equipes não localizaram nenhum cadáver de guerrilheiros das Farc. No entanto, os guerrilheiros têm o hábito de remover os corpos de seus camaradas enquanto se retiram.
Um fazendeiro disse ter saído da cama após os combates, iniciados durante a madrugada e encerrados no fim da tarde. ‘‘Eu estava dormindo e de repente senti como se alguém estivesse manuseando fogos de artifício ao meu lado’’, contou o fazendeiro que disse estar com medo de informar seu nome. ‘‘Eu estava com medo e me escondi dentro de casa.’’
Guerrilheiros guiaram veículos de equipes de televisão locais, abastecendo pelo menos um deles com gás natural, às vezes utilizado pelas Farc para disparar mísseis de fabricação própria.

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